Presidente da Argentina critica ONU em assembleia e retoma discussão pelas Malvinas

Em discurso. Javier Milei chama a organização de “inútil” e que serve para sustentar castas de “burocratas bem-intencionados”.

Publicado em 23 de setembro de 2026 às 14:09

Milei criticou Reino Unido e ONU e retoma a discussão pelas Malvinas -
Milei criticou Reino Unido e ONU e retoma a discussão pelas Malvinas - Crédito: Reprodução/ONU.

O presidente da Argentina, Javier Milei, causou polêmica em discurso feito na Assembleia Geral da ONU, na manhã desta quarta-feira (23). No pronunciamento, Milei retomou a discussão sobre a disputa territorial pelas Ilhas Malvinas, arquipélago localizado no Atlântico Sul, que é pertencente ao Reino Unido desde 1833, como "Falkland Islands”.

Para o presidente, “as Malvinas são uma causa nacional”, e considerou a exploração de combustíveis fósseis pelos britânicos na região como “ilegal e ilegítima”, descrevendo os moradores das ilhas como uma população “implantada pela potência ocupante em um território cuja soberania é disputada”. Ao todo, 3.600 pessoas moram pelo arquipélago.

No mesmo discurso, Milei não perdeu a oportunidade de criticar fortemente a própria ONU. Segundo o presidente, a organização “tornou-se uma organização inútil cujo único propósito é sustentar uma casta de parasitas fatalmente arrogantes que se fazem passar por burocratas bem-intencionados”, finalizando com uma citação ao economista liberal Ludwig Von Mises: “Pessoas boas não pensam em controlar a vida de seus semelhantes”.

Javier Milei trouxe à tona a disputa territorial após anunciar sanções contra empresas envolvidas na extração de petróleo nas proximidades das ilhas no início deste mês.

A Guerra das Malvinas

Em 1982, a Argentina e a Grã-Bretanha entraram em guerra depois que a ditadura militar argentina tentou tomar o território à força, alegando que herdou o território da Espanha após a independência em 1816 e que os britânicos assumiram o controle em 1833 por meio de um ato colonial ilegal. Em defesa, o Reino Unido sustenta que os habitantes das ilhas têm o direito de decidir seu próprio futuro. Os britânicos venceram o conflito.

Em 2013, um referendo foi realizado na ilha, definindo se os moradores permaneceriam sob o domínio britânico, ou voltavam ao domínio argentino. 99,8% votaram a favor da permanência. A Argentina não reconheceu o resultado, dizendo que a população foi formada após a apropriação inglesa. Atualmente, o Reino Unido mantém poderio militar nas ilhas, temendo novos ataques.

Criticada por Milei, a ONU considera as Malvinas como um território não autônomo e defende que Reino Unido e Argentina retomem as negociações para resolver o conflito de forma pacífica, não reconhecendo nenhuma das reivindicações como definitiva.