Publicado em 1 de novembro de 2026 às 09:09
Neste sábado (31), protestos liderados por jovens da geração Z terminaram em saques e atos de violência em Frankfurt, na Alemanha. As manifestações ocorreram em 34 cidades do país e reuniram milhares de pessoas contra o serviço militar obrigatório e em defesa de mais investimentos em educação, em meio ao aumento do custo de vida.>
Em Frankfurt, centro financeiro alemão, pelo menos duas lojas foram saqueadas. Outros estabelecimentos tiveram vitrines danificadas, enquanto a polícia tentava controlar a situação.>
A polícia de Frankfurt alertou sobre a gravidade dos distúrbios em uma publicação na rede social X. Segundo a corporação, vitrines de várias lojas foram quebradas e coquetéis molotov foram lançados contra equipes de emergência. A polícia pediu que a população evitasse o centro da cidade ou deixasse a região.>
Os atos foram organizados pelo movimento “Gen Z regelt”, expressão que pode ser traduzida como “a geração Z assume o controle”. O grupo é contrário ao serviço militar obrigatório e defende mais investimentos em educação, além de uma distribuição mais justa dos encargos sociais.>
Apesar da expectativa dos organizadores de reunir cerca de 182 mil pessoas, os números oficiais divulgados na tarde de sábado apontaram uma participação menor. As polícias de Frankfurt, Munique e Berlim contabilizaram até 18 mil manifestantes, aproximadamente metade dos 36 mil participantes informados no site do movimento.>
Autoridades alemãs afirmaram que a maior parte das manifestações foi pacífica, mas alertaram para tentativas de grupos extremistas de se aproveitar da mobilização. Em Hamburgo, algumas barricadas foram incendiadas.>
Em Berlim, a porta-voz do movimento, Lina Friedrich, destacou que os protestos defendem a paz, a liberdade e o fortalecimento dos sistemas de saúde e educação. Ela também reforçou a oposição ao serviço militar obrigatório e a defesa de uma distribuição mais justa dos encargos sociais.>
O Ministério Federal do Interior informou que setores da extrema esquerda e grupos ligados a movimentos extremistas de outros países também participaram da mobilização. Roman Poseck, ministro do Interior do estado de Hesse, cuja capital é Frankfurt, demonstrou preocupação com a possibilidade de os atos repetirem episódios de violência registrados na França. Ele citou os saques, incêndios e ataques a policiais ocorridos no país e afirmou que a França não deve ser vista como exemplo nesse sentido.>
Por precaução, alguns estabelecimentos comerciais de cidades alemãs instalaram tapumes nas vitrines e fecharam mais cedo antes dos protestos. A medida também foi adotada na Kurfürstendamm, uma das principais avenidas de compras de luxo de Berlim.>
As reivindicações dos manifestantes estão relacionadas à pressão econômica enfrentada pelos jovens na maior economia da Europa. A Alemanha atravessa dificuldades para retomar o crescimento, enquanto o sistema previdenciário e os serviços públicos enfrentam desafios com a aposentadoria da geração baby boomer, nascida no período posterior à Segunda Guerra Mundial, e a redução da população em idade ativa.>
Durante a mobilização em Munique, Steve, de 18 anos, que deveria discursar no ato, criticou a postura do governo do chanceler Friedrich Merz. O jovem afirmou que as medidas adotadas pelo governo, com cortes e novos encargos, não respondem às preocupações da juventude. Ele também defendeu a continuidade das manifestações até que as reivindicações dos jovens sejam consideradas.>
A organização da mobilização também enfrenta questionamentos sobre quem está por trás da campanha e se o movimento é, de fato, liderado por jovens, diante da participação de diferentes grupos políticos e organizações da sociedade civil.>
A entidade que representa os grêmios e organizações estudantis do ensino básico da Alemanha, a BSK, se distanciou da iniciativa e anunciou que pretende realizar um protesto separado no dia 20 de novembro.>
Em Berlim, o estudante Sean Baker, da Universidade Técnica da cidade, afirmou que participaria dos atos para chamar a atenção para as condições dos prédios da instituição. Segundo ele, as salas de aula apresentam problemas de conservação e dão a impressão de que o campus está abandonado, apesar de continuarem sendo utilizadas regularmente pelos estudantes.>