Protestos na França terminam em confrontos e mais de 100 pessoas são presas

Manifestações contra o alto custo de vida, a precariedade dos serviços públicos e a falta de professores reuniram milhares de pessoas em diversas cidades. Polícia usou gás lacrimogêneo e reforçou a segurança.

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 19:29

Manifestações contra o alto custo de vida, a precariedade dos serviços públicos e a falta de professores reuniram milhares de pessoas em diversas cidades. Polícia usou gás lacrimogêneo e reforçou a segurança.
Manifestações contra o alto custo de vida, a precariedade dos serviços públicos e a falta de professores reuniram milhares de pessoas em diversas cidades. Polícia usou gás lacrimogêneo e reforçou a segurança. Crédito: Reprodução

Na manhã deste sábado (17), manifestações contra o custo de vida e as condições dos serviços públicos provocaram confrontos entre policiais e manifestantes em várias cidades da França. As autoridades registraram 140 protestos fora de Paris, com a participação de 32,8 mil pessoas até o meio-dia. Na região da capital, mais de 100 pessoas foram detidas, segundo a emissora BFMTV.

As manifestações começaram no mês passado, com bloqueios em escolas de ensino médio nos subúrbios mais pobres ao norte de Paris. A falta de professores e as condições precárias das instalações escolares motivaram os primeiros atos, que depois passaram a reunir outras reivindicações, como o combate à desigualdade, a redução do custo de vida e a melhoria dos serviços públicos.

Neste sábado, a polícia usou gás lacrimogêneo e entrou em confronto com manifestantes em diferentes cidades. Segundo o Ministério do Interior francês, também houve vandalismo e ataques contra agentes de segurança, profissionais da imprensa e prédios públicos.

No centro de Paris, policiais foram mobilizados em grande número, principalmente nas proximidades de pontos turísticos como a avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo. Os dois locais ficaram fora dos trajetos de duas manifestações autorizadas.

Parte dos manifestantes vestia coletes de alta visibilidade, em referência ao movimento dos Coletes Amarelos, que ganhou força na França em 2018 e se tornou símbolo dos protestos contra o aumento do custo de vida.

Manifestantes criticam preços e condições das escolas

Entre os participantes, a insatisfação com os gastos do dia a dia e a situação da educação está entre os principais motivos para ir às ruas.

Em Paris, uma manifestante de 19 anos identificada como Lola afirmou que o movimento também busca denunciar a violência contra estudantes que participam dos atos.

“Estamos lutando porque o custo de vida está insuportável, porque o preço do combustível está alto demais”, declarou, ao criticar as condições das escolas e os ferimentos sofridos por jovens durante manifestações.

Uma testemunha ouvida pela agência Reuters relatou que cerca de 100 pessoas caminhavam em direção ao ponto de concentração dos protestos, gritando palavras de ordem contra a polícia.

Em Marselha, a prefeitura foi alvo de vandalismo. Diante da situação, o prefeito informou que conversou com o primeiro-ministro e com o ministro do Interior, após o que reforços policiais foram enviados à cidade.

A resposta das forças de segurança tem provocado questionamentos, principalmente após relatos de manifestantes feridos durante protestos anteriores. Entre os casos está o de um adolescente que perdeu uma das mãos ao pegar uma granada de efeito moral.

O órgão responsável por fiscalizar a atividade policial investiga pelo menos duas dezenas de denúncias de violência cometida por agentes. O ministro do Interior, Laurent Nunez, afirmou que granadas de efeito moral poderiam ser utilizadas durante os atos deste sábado, apesar de a França ter suspendido anteriormente o uso desses dispositivos em manifestações estudantis.

O ministro Sebastien Lecornu, por sua vez, informou que mais de 900 policiais também ficaram feridos durante os episódios de violência relacionados aos protestos.

Na região de Paris, cerca de 100 pessoas já haviam sido detidas, segundo a BFMTV. A emissora informou que a maioria das detenções estava relacionada ao porte de equipamentos de proteção proibidos.

As manifestações ocorrem em um momento de pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que pediu calma na sexta-feira (16). O governo enfrenta dificuldades para conter o descontentamento social enquanto tenta reduzir a dívida pública francesa.

Os esforços para equilibrar as contas não foram suficientes para tranquilizar os investidores, e os custos de financiamento do governo chegaram a níveis elevados, entre os mais altos das últimas duas décadas, segundo o relato da agência Reuters.

A mobilização também ganhou força com publicações nas redes sociais que convocaram participantes de movimentos anteriores a voltar às ruas. Sindicatos e grupos locais também incentivaram a adesão aos atos.

O movimento dos Coletes Amarelos surgiu em 2018, inicialmente contra impostos sobre o diesel, e se ampliou para reivindicações relacionadas ao custo de vida e à desigualdade. Na época, os protestos perderam força depois que Macron anunciou medidas que incluíam bilhões de euros em reduções de impostos.

Agora, a retomada de manifestações em diferentes cidades mostra que o descontentamento com as condições econômicas e os serviços públicos continua sendo um desafio para o governo francês.