Suspeita de hantavírus mobiliza autoridades após mortes em cruzeiro no Atlântico

Três pessoas foram evacuadas com urgência em Cabo Verde.

Publicado em 6 de maio de 2026 às 12:17

Suspeita de hantavírus mobiliza autoridades após mortes em cruzeiro no Atlântico
Suspeita de hantavírus mobiliza autoridades após mortes em cruzeiro no Atlântico Crédito: Reprodução/Oceanwide

O que deveria ser uma viagem de tranquilidade pelo Oceano Atlântico transformou-se em um caso de vigilância sanitária internacional. O cruzeiro MV Hondius, de bandeira holandesa, tornou-se o centro das atenções da Organização Mundial da Saúde (OMS) após o registro de três mortes e a evacuação emergencial de outras três pessoas com suspeita de infecção por hantavírus.

Nesta terça-feira (5), a embarcação fez uma parada estratégica no porto de Praia, em Cabo Verde, para a retirada de dois passageiros e um tripulante que apresentavam sintomas da doença. A operação de resgate foi um esforço conjunto que envolveu governos de quatro países: Cabo Verde, Reino Unido, Espanha e Holanda. Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, os pacientes foram encaminhados para tratamento especializado em solo holandês.

A preocupação aumentou após a confirmação de que três mortes já haviam ocorrido durante o trajeto. Entre as vítimas fatais, destaca-se um casal de idosos holandeses (de 69 e 70 anos). O homem faleceu durante a passagem pela ilha de Santa Helena, enquanto a esposa veio a óbito já em um hospital na África do Sul, evidenciando a gravidade do quadro clínico.

Em comunicado, Tedros Adhanom buscou tranquilizar a comunidade internacional ao afirmar que, nesta fase, o risco geral para a saúde pública permanece baixo. A OMS segue monitorando de perto as 150 pessoas que permanecem a bordo enquanto o navio continua seu percurso.

O hantavírus não é uma doença comum em ambientes marítimos, o que torna o caso atípico. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto ou inalação de partículas provenientes da urina, fezes e saliva de roedores silvestres. O quadro começa como uma gripe comum, com febre e dores no corpo, mas pode evoluir rapidamente para síndromes respiratórias graves ou problemas renais agudos.

Atualmente, o navio segue sua rota de três dias em direção às Ilhas Canárias. Enquanto isso, laboratórios internacionais realizam testes rigorosos para confirmar se o hantavírus é, de fato, o responsável pelo surto e como ele teria chegado à embarcação. A investigação busca evitar que novos casos surjam entre os demais tripulantes e passageiros durante o restante da viagem.