Terremoto ameaça exportações de café da Colômbia

Bloqueios em estradas dificultam acesso a Buenaventura e podem atrasar embarques para o exterior.

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 16:56

Bloqueios em estradas dificultam acesso a Buenaventura e podem atrasar embarques para o exterior.
Bloqueios em estradas dificultam acesso a Buenaventura e podem atrasar embarques para o exterior. Crédito: Reprodução 

Nesta quarta-feira (12), as exportações de café da Colômbia enfrentam dificuldades após o terremoto de magnitude 7,4 atingir o país na segunda-feira (10) e provocar bloqueios e deslizamentos em estradas que ligam regiões produtoras ao porto de Buenaventura, principal ponto de saída do grão colombiano para o exterior. Exportadores buscam rotas alternativas para evitar atrasos nas entregas enquanto as equipes trabalham para recuperar os corredores de transporte.

A Colômbia é o terceiro maior produtor mundial de café, atrás apenas de Brasil e Vietnã, e tem papel importante no mercado internacional por fornecer principalmente café arábica lavado, valorizado por compradores de diferentes países. Na safra 2024/25, o país produziu cerca de 14,8 milhões de sacas de 60 quilos e exportou aproximadamente 13 milhões de sacas em 2025.

O principal problema está no acesso a Buenaventura, no litoral do Pacífico. Segundo a Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport), mais de 60% das exportações colombianas do grão passam pelo porto. Com estradas bloqueadas, caminhões encontram dificuldades para levar o café processado até o terminal.

O presidente da Asoexport, Gustavo Gómez, afirmou ao jornal colombiano El Colombiano que, no momento, a estrada até Buenaventura não está liberada para veículos de comércio exterior. Com isso, cargas prontas para exportação ficam retidas no interior do país.

O problema também atinge regiões onde estão concentradas unidades de processamento e empresas exportadoras. Manizales, Pereira e Armenia, no chamado Eixo Cafeeiro, além de Cartago, no departamento de Valle del Cauca, reúnem parte dessa estrutura.

Na prática, o café pode estar colhido, processado e pronto para ser embarcado, mas não consegue chegar ao porto. Regiões produtoras como Huila, Tolima, Cauca e Nariño também enfrentam dificuldades para encontrar caminhões e transportar a produção até terminais alternativos.

A Asoexport estima que a Colômbia exporte cerca de 1 milhão de sacas por mês. Caso as restrições permaneçam durante uma semana, o volume potencialmente afetado seria de aproximadamente 250 mil sacas, o que poderia representar mais de 600 veículos e mais de 1 mil contêineres represados.

O número é uma projeção feita pela associação para dimensionar o impacto da interrupção e não significa que todo esse volume já esteja parado.

A falta de espaço e transporte também pode afetar o processamento do café. Se as empresas não conseguirem retirar o produto armazenado, algumas operações podem diminuir o ritmo, o que pode acabar prejudicando a compra de café dos produtores.

Com o acesso a Buenaventura comprometido, o setor passou a avaliar alternativas na costa do Caribe. Cartagena, Santa Marta e Puerto Antioquia estão entre os terminais considerados para receber cargas que normalmente seriam encaminhadas pelo Pacífico.

A mudança, porém, depende da disponibilidade de caminhões e de estradas em condições de receber o aumento no fluxo de cargas. Algumas das rotas alternativas também registram bloqueios e deslizamentos, como o trecho entre Letras, Fresno e Manizales.

A Asoexport trabalha com o governo colombiano para recuperar os corredores de transporte e manter o escoamento por portos do Caribe enquanto Buenaventura não puder operar normalmente.

Os efeitos do terremoto chegaram às propriedades rurais. A Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) iniciou um levantamento dos danos em áreas produtoras de Risaralda, Valle del Cauca, Caldas, Antioquia, Chocó e Quindío.

No Quindío, mais de 150 famílias produtoras já foram identificadas como afetadas na primeira etapa do levantamento. Equipes foram enviadas aos 12 municípios do departamento para avaliar danos em propriedades e orientar as ações de recuperação.

Também foram registrados danos estruturais em comitês municipais e armazéns de provisão agrícola de Filandia, Buenavista e Montenegro. As unidades foram fechadas preventivamente para avaliação da segurança e da infraestrutura. As demais unidades do departamento voltaram a funcionar nesta quarta-feira (12).

A interrupção das estradas preocupa exportadores porque eventuais atrasos no transporte podem comprometer os prazos de entrega negociados com compradores estrangeiros. A Asoexport informou que os clientes internacionais estão sendo comunicados sobre a situação.

A preocupação ocorre em um momento de atenção com a oferta mundial de café, o que já influencia as cotações internacionais. Na terça-feira (11), o contrato de café arábica para setembro subiu 1,04% e fechou próximo de US$ 3,34 por libra-peso.

A Bolsa de Nova York é uma das principais referências internacionais para o preço do café arábica. As cotações influenciam negociações entre produtores, exportadores e compradores, embora o preço pago pelo consumidor também dependa de fatores como câmbio, impostos, transporte e outros custos.

Ainda não há previsão definitiva para a normalização das exportações colombianas. A retomada dependerá da recuperação das estradas, da liberação do acesso a Buenaventura e da capacidade de utilização dos portos e rotas alternativas.