Publicado em 8 de julho de 2026 às 08:00
A corda esticou de vez entre Washington e Teerã. Na manhã desta quarta-feira (8), durante a abertura da cúpula da Otan na Turquia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enterrou de vez as chances de um entendimento diplomático com o Irã. O republicano afirmou com todas as letras que o memorando de paz entre as duas nações "acabou" e que insistir no diálogo virou uma completa perda de tempo.>
A declaração forte acontece logo após uma madrugada de caos e forte escalada militar, com bombardeios de lado a lado no Oriente Médio e no Golfo Pérsico.>
A crise saiu do campo das palavras e foi para as armas. Nas últimas horas, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã confirmou ter disparado contra bases militares americanas localizadas no Bahrein e no Kuwait. O ataque foi uma resposta direta a bombardeios que os próprios EUA haviam feito pouco antes em território iraniano e na região sul do país.>
De acordo com a Casa Branca, a ofensiva americana que incluiu também a volta de sanções pesadas ao petróleo do Irã funcionou como uma "punição". Washington acusa Teerã de violar o cessar-fogo e usar "jogo sujo" ao atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de energia.>
Sem filtros, Trump usou metáforas duras na Turquia para justificar o abandono da via diplomática.>
"Temos que eliminar esse câncer. E sabem o que se faz? É preciso cortar o câncer cedo. É assim que eu vejo isso", disparou o presidente americano, chamando as lideranças iranianas de "pessoas más e doentes". Para ele, os EUA agora precisam focar em "fazer o próprio trabalho" em vez de insistir em reuniões que não trazem resultados.>
O posicionamento agressivo de Trump ganhou respaldo imediato na Europa. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, defendeu as ações de Washington ao chegar para a cúpula em Ancara, classificando a reação militar dos Estados Unidos como "absolutamente necessária" diante do comportamento iraniano.>
Do outro lado, a diplomacia do Irã soltou o verbo. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do país colocou toda a culpa da nova guerra nas costas de Washington, acusando o governo americano de ser o verdadeiro responsável por rasgar os tratados e "quebrar acordos". Segundo Teerã, as sanções econômicas americanas e os conflitos em andamento no Líbano foram os verdadeiros culpados por destruir os pilares do pacto que tentava desenhar o fim das hostilidades na região.>