Trump ameaça Canadá com impacto “devastador” após nova tarifa

Taxas de até 50% sobre produtos canadenses já provocam reação de Ottawa, que promete responder com cobranças equivalentes a partir de setembro

Publicado em 23 de agosto de 2026 às 20:40

Taxas de até 50% sobre produtos canadenses já provocam reação de Ottawa, que promete responder com cobranças equivalentes a partir de setembro
Taxas de até 50% sobre produtos canadenses já provocam reação de Ottawa, que promete responder com cobranças equivalentes a partir de setembro Crédito: Reprodução

Neste domingo (23), o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou a pressão sobre o Canadá em meio à escalada da guerra comercial entre os dois países. Washington afirmou que as consequências para os canadenses podem ser “devastadoras” caso Ottawa mantenha o confronto e não aceite as condições apresentadas pelos norte-americanos.

A nova rodada de tarifas atinge cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, o equivalente a aproximadamente 28 bilhões de dólares canadenses. O valor representa cerca de 5,5% das exportações do país destinadas ao mercado americano, segundo as informações divulgadas sobre a medida.

Em resposta, o governo do primeiro-ministro Mark Carney anunciou que pretende aplicar tarifas equivalentes sobre produtos dos Estados Unidos. A retaliação está prevista para começar em 8 de setembro e deve atingir setores como aço, laticínios, automóveis e outros produtos.

O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou que o Canadá seria “insensato” se acreditasse que poderia vencer uma guerra comercial contra a maior economia do mundo. Segundo ele, Carney deve voltar à mesa de negociações diante dos possíveis impactos da disputa para a economia canadense.

Apesar da diferença de tamanho entre as duas economias, os efeitos da guerra comercial também podem chegar aos Estados Unidos. Os dois países possuem cadeias de produção fortemente integradas, especialmente nos setores automotivo, de energia e de matérias-primas. Com isso, empresas e consumidores americanos também podem enfrentar aumento de custos.

Trump voltou a provocar o governo canadense neste domingo em uma publicação na rede Truth Social. O presidente americano afirmou que o Canadá quer os benefícios de uma relação com os Estados Unidos sem aceitar as condições impostas por Washington. Trump também voltou a criticar políticas canadenses relacionadas a produtos americanos.

A relação entre os dois países ficou ainda mais tensa desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. O presidente americano chegou a defender publicamente a transformação do Canadá no 51º estado dos Estados Unidos, ideia rejeitada pelo governo e pela população canadense.

Segundo a Casa Branca, Ottawa mantém práticas consideradas discriminatórias contra produtos americanos, incluindo bebidas alcoólicas, laticínios, automóveis e autopeças. As tarifas foram estabelecidas com base em uma lei comercial americana de 1930 que permite ao presidente impor taxas de até 50% em determinadas situações.

As cobranças estavam inicialmente previstas para entrar em vigor em 19 de agosto, mas foram adiadas enquanto os dois governos tentavam chegar a um acordo. As negociações, porém, fracassaram na sexta-feira (21), e as novas tarifas passaram a valer.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que Washington havia oferecido reduzir algumas tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, além de retirar uma cobrança sobre madeira canadense. Carney considerou as novas exigências americanas injustas e economicamente inviáveis e decidiu suspender as negociações.

O primeiro-ministro canadense afirmou que seu governo está disposto a retirar parte das tarifas de retaliação caso os Estados Unidos reduzam as cobranças sobre setores estratégicos. Ao mesmo tempo, Ottawa promete responder às novas medidas “dólar por dólar” e anunciou que prepara ações para proteger empresas e trabalhadores afetados pela disputa.