Trump reconhece derrota republicana no Congresso e aposta no poder de veto contra democratas

Após vitória histórica da oposição na Câmara e no Senado, presidente dos EUA atribui resultado a falhas de candidatos do próprio partido.

Publicado em 4 de novembro de 2026 às 11:05

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Crédito: Molly Riley/Official White House

A varredura democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos que garantiu à oposição o controle tanto do Senado quanto da Câmara dos Representantes provocou uma reação imediata no topo do poder americano. Em vez de assumir o baque político, o presidente Donald Trump preferiu jogar a responsabilidade do fracasso no colo dos próprios correligionários republicanos, garantindo que o cenário seria oposto se ele estivesse disputando diretamente a preferência do eleitor.

Em declarações concedidas a veículos como a Fox News e o New York Times, o presidente de 80 anos avaliou a derrota com uma mistura de pragmatismo e ironia. Trump admitiu surpresa com o placar desfavorável após comícios movimentados, mas surpreendeu ao tecer um raro elogio aos oponentes, reconhecendo que os democratas "lutaram muito e fizeram um bom trabalho". No entanto, fez questão de ressaltar que não enxerga o resultado como uma rejeição ao seu governo.

Entre farpas ao próprio partido e o peso do conflito internacional

A lavagem de roupa suja dentro do Partido Republicano não demorou a ganhar as redes digitais. Na plataforma Truth Social, Trump mirou artilharia contra aliados que considerou desalinhados com sua plataforma apelidados por ele de "RINOs", sigla para "republicanos apenas de nome". O principal alvo da fúria presidencial foi Greg Abbott, que perdeu o governo do Texas, marcando a primeira vitória democrata no estado em mais de três décadas. Segundo Trump, o aliado afundou ao mudar de postura no trecho final da campanha.

Além das disputas internas, a política externa também pesou no bolso eleitoral. O presidente reconheceu que a escalada do conflito com o Irã influiu no descontentamento de parte dos eleitores, embora tenha defendido as ações militares contra o programa nuclear do país persa como essenciais para a segurança americana.

A estratégia do "VETO" e a promessa de embate legislativo

Com o Capitólio agora sob domínio da oposição, a governabilidade na Casa Branca exigirá novos arranjos. Ciente do travamento que virá pela frente, Trump postou a foto de um boné vermelho estampado com a palavra "VETO", sinalizando como pretende frear a agenda adversária.

Segundo o presidente, a expectativa é que os democratas tentem aprovar propostas que ele considera inviáveis, abrindo espaço para uma sequência de barragens presidenciais. A aposta de Trump é que, após meses de impasse e vetos acumulados, a oposição seja forçada a buscar o diálogo para pautas de interesse mútuo, como a reformulação das leis de imigração.