Trump transforma o gramado da Casa Branca em arena do UFC para celebrar 80 anos

Em um evento inédito que misturou diplomacia, entretenimento e os negócios da família presidencial, o líder americano quebrou tradições históricas.

Publicado em 15 de junho de 2026 às 08:58

Trump transforma o gramado da Casa Branca em arena do UFC para celebrar 80 anos
Trump transforma o gramado da Casa Branca em arena do UFC para celebrar 80 anos Crédito: Reprodução/Redes sociais

Neste domingo (14), quem olhasse para os jardins da Casa Branca não encontraria os tradicionais recitais ou os jantares de gala que marcaram os séculos de história da residência presidencial. Em vez disso, o cenário foi tomado por uma imponente estrutura metálica de 28 metros de altura chamada "A Garra", que abrigou um octógono de artes marciais mistas. Para comemorar seu aniversário de 80 anos, o presidente Donald Trump decidiu inovar e chocar ao sediar o primeiro evento esportivo profissional da história do local.

A noite de lutas do UFC transformou o icônico gramado sul em uma autêntica arena de combate, evidenciando sua disposição em usar um estilo político direto e impactante para projetar força e atrair atenção, mesmo que isso signifique ofuscar a tradicional pompa do cargo.

Acompanhado de perto pela primeira-dama Melania Trump e por seu amigo de longa data Dana White, o poderoso chefão do UFC, o presidente assistiu à ação bem de frente para a gaiola de metal. A quebra de protocolo começou cedo, com o hino nacional ecoando enquanto 12 aeronaves militares faziam um sobrevoo barulhento sobre a residência. Logo depois, os sete combates programados trouxeram uma dose de agressividade nunca antes vista no palácio do governo americano.

Um dos grandes momentos da noite foi o nocaute relâmpago do brasileiro Diego Lopes contra o americano Steve Garcia, resolvido em menos de três minutos de uma disputa marcada por socos e chutes intensos. A luta principal da noite foi estrelada pelo astro espanhol Ilia Topuria.

Para dar vida ao espetáculo, toda a dinâmica da sede do governo foi adaptada. O Edifício Executivo Eisenhower, vizinho à residência principal, funcionou como área de aquecimento para os atletas. De lá, eles caminhavam até o octógono sob o som ensurdecedor das caixas acústicas, que faziam até as paredes da histórica Varanda Truman vibrar diante dos convidados.

A plateia de 4.000 pessoas foi selecionada de forma muito criteriosa pelo governo. Entre os rostos conhecidos do governo e aliados políticos de primeira linha na plateia estavam o Secretário de Estado Marco Rubio, o Diretor do FBI Kash Patel e o Presidente da Câmara dos Representantes Mike Johnson. O Presidente da Polônia, Karol Nawrocki, também marcou presença e acompanhou o evento como convidado internacional de destaque.

Como os ingressos não foram abertos ao público geral, a administração convocou membros das forças armadas para preencher parte das cadeiras do estádio provisório. O restante dos assentos VIP ficou sob o controle do governo e do próprio UFC, que distribuiu entradas adicionais para grandes investidores dispostos a desembolsar mais de 1 milhão de dólares para garantir um lugar histórico na primeira fileira.

O evento foi oficialmente justificado como parte das celebrações antecipadas dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. No entanto, a escolha estratégica da data para coincidir com o aniversário do presidente gerou questionamentos de especialistas. Analistas de mercado, como Dan Rayburn, apontaram que a imensa maioria dos americanos não celebra o aniversário do país assistindo a lutas de MMA, classificando a noite como um evento essencialmente privado e familiar.

Além disso, a mistura entre a máquina pública e os interesses financeiros privados de Trump voltou ao centro dos holofotes. Decorridos 17 meses de seu segundo mandato, essa proximidade ficou clara quando lembraram que, em março, o presidente anunciou a compra de até 50 mil dólares em ações da TKO Group Holdings, a empresa controladora do UFC. Para viabilizar a estrutura na Casa Branca, a organização do UFC doou 60 milhões de dólares para cobrir os custos, mas os detalhes financeiros exatos desse acordo não foram totalmente abertos ao público.

A transmissão oficial do evento na plataforma Paramount+ contou com o patrocínio da Trump Coin, que são moedas de ouro e prata com o rosto do presidente vendidas por sua própria família. Além disso, a empresa de criptomoedas World Liberty Financial, gerida por dois dos filhos de Trump e pelo filho de seu principal negociador diplomático, financiou os bônus extras entregues aos lutadores que mais impressionaram os executivos durante a noite.

Apesar das críticas sobre possíveis conflitos de interesse ao usar a estrutura do Estado para promover marcas e empresas ligadas ao seu nome, a Casa Branca rebateu as acusações de forma direta. A equipe oficial de comunicação afirmou que os negócios particulares do presidente são administrados de forma totalmente independente por seus familiares, defendendo a legalidade da noite que uniu, como nunca antes, o topo do poder político ao espetáculo do entretenimento moderno.