Vice-prefeita afastada em SP é investigada por suposto desvio de verba para 'dominação amorosa'

Com base nas acusações, a Justiça determinou o afastamento de Juliana Maria Teixeira da Costa

Publicado em 21 de junho de 2026 às 17:52

A denúncia do Ministério Público sustenta que o pagamento fazia parte de um esquema de desvio de verbas públicas.
A denúncia do Ministério Público sustenta que o pagamento fazia parte de um esquema de desvio de verbas públicas. Crédito: Reprodução / Redes sociais

A investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Prefeitura de Ribeira, no interior de São Paulo, ganhou um novo desdobramento após declarações da mãe de santo contratada pela vice-prefeita afastada, Juliana Maria Teixeira da Costa (MDB).

Em entrevista ao g1, a líder religiosa, identificada como Samantha, afirmou que foi procurada para realizar um trabalho espiritual que teria como objetivo afastar a esposa de um homem com quem Juliana manteria um relacionamento. Segundo ela, o pedido incluía um ritual de "dominação amorosa", além de um suposto "casamento espiritual".

As declarações passaram a integrar o contexto do caso investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que acusa a vice-prefeita de desviar R$ 41,2 mil dos cofres públicos para custear parte do serviço. Conforme a denúncia, o pagamento teria sido feito por intermédio de uma empresa contratada pelo município para prestar serviços na área da saúde.

O MP também denunciou o então coordenador municipal de Saúde, Lauro Olegário da Silva Filho, e o empresário Willian Felipe da Silva, proprietário da empresa W.F. Os três são investigados por suposta participação em um esquema de fraude em licitações, emissão de notas fiscais falsas e desvio de dinheiro público entre 2021 e 2024.

Segundo Samantha, o trabalho espiritual teria sido contratado por R$ 380 mil, mas apenas R$ 41,2 mil foram pagos. Ela afirmou que desconhecia a origem dos recursos no momento da negociação e que só descobriu que a cliente ocupava um cargo público após tentar cobrar o restante do valor.

Ainda de acordo com a líder religiosa, a situação veio a público depois que ela divulgou, nas redes sociais, uma imagem relacionada ao atendimento. Na publicação, aparecia um comprovante indicando que a transferência havia sido realizada pela empresa W.F., informação que posteriormente passou a ser considerada na investigação.

A denúncia do Ministério Público sustenta que o pagamento fazia parte de um esquema de desvio de verbas públicas. Com base nas acusações, a Justiça determinou o afastamento de Juliana Maria Teixeira da Costa do cargo de vice-prefeita e a suspensão de contratos públicos que são alvo da investigação.