Áudio expõe articulação de Davi Alcolumbre com prefeito interino para influenciar decisão judicial

Gravação mostra Davi Alcolumbre orientando o prefeito interino de Macapá a procurar desembargador sem advogado, em meio a disputa política com o prefeito eleito

Publicado em 24 de março de 2026 às 15:24

Gravação mostra Davi Alcolumbre orientando o prefeito interino de Macapá a procurar desembargador sem advogado, em meio a disputa política com o prefeito eleito
Gravação mostra Davi Alcolumbre orientando o prefeito interino de Macapá a procurar desembargador sem advogado, em meio a disputa política com o prefeito eleito Crédito: Câmara dos Deputados

Um áudio obtido pela colunista Andreza Matais revela que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), orientou o prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua, a procurar um desembargador responsável por analisar uma ação envolvendo o prefeito eleito, Antonio Furlan (PSD), seu adversário político.

Na conversa, o senador detalha quando e como o encontro deveria ocorrer: na segunda-feira, às 10h, no gabinete do magistrado, dentro do Tribunal de Justiça. Alcolumbre reforça mais de uma vez que DaLua deveria comparecer sozinho, sem a presença de advogado.

Durante o diálogo, o presidente do Senado afirma ter intermediado a reunião e se refere ao desembargador como “meu irmão”. Segundo ele, ao magistrado foi pedido apoio para “restabelecer a autoridade” do presidente da Câmara Municipal, aliado político que, de acordo com o senador, sempre esteve ao seu lado.

Alcolumbre também relata que destacou ao desembargador sua atuação baseada em lealdade política e reconhecimento a aliados, afirmando que valoriza quem contribui com seu grupo.

A conversa expõe uma movimentação política ligada à disputa local. O objetivo seria reverter uma decisão do prefeito eleito, que havia vetado o aumento do orçamento da Câmara de Vereadores de R$ 3,9 milhões para R$ 5 milhões, reajuste posteriormente garantido pela Justiça.

Em outro trecho, DaLua reage ao relato do senador dizendo estar “arrepiado” e afirma que iria se preparar para o encontro. Ele também adota um tom ofensivo ao se referir a Furlan e menciona a intenção de abrir duas CPIs contra o prefeito eleito, planejando anunciar as investigações durante um evento importante no estado. Ao pedir a opinião de Alcolumbre, recebe como resposta a orientação para seguir adiante com a iniciativa.

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