CPI do Crime Organizado mira esposa de Moraes e família de Dias Toffoli

No caso de Viviane Barci, Vieira afirma que a convocação é necessária para apurar indícios de uso de serviços jurídicos como possível mecanismo de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 14:30

Alexandre de Moraes e Viviane Moraes
Alexandre de Moraes e Viviane Moraes Crédito: Reprodução 

Com informações do Estadão Conteúdo- O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou requerimentos para a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além dos irmãos do ministro Dias Toffoli, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, e de um primo do magistrado.

No caso de Viviane Barci, Vieira afirma que a convocação é necessária para apurar indícios de uso de serviços jurídicos como possível mecanismo de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial. O senador cita um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, revelado pelo jornal O Globo. Segundo o parlamentar, o valor é incompatível com os preços praticados no mercado, o que levanta suspeitas de negócio jurídico simulado.

O requerimento também menciona investigações da Operação Carbono Oculto, que apontam que o Banco Master teria sido capitalizado com recursos oriundos de fraudes e do tráfico de drogas, por meio da emissão de CDBs pela gestora CBSF DTVM, antiga Reag Trust. Nesse contexto, os pagamentos ao escritório poderiam, em tese, caracterizar lavagem de dinheiro, conforme a Lei nº 9.613/1998.

Vieira destaca ainda que a abertura de uma nova unidade do escritório em Brasília ocorreu em setembro de 2025, dois meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, o que, segundo ele, reforça suspeitas de manobras de estratificação patrimonial. O senador também questiona o tratamento prioritário dado aos pagamentos ao escritório em relação a outros credores, levantando a hipótese de tráfico de influência.

Paralelamente, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) apresentaram requerimento solicitando a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Viviane Barci, abrangendo o período de janeiro de 2024 a janeiro de 2026, com acesso a dados da Receita Federal, Banco Central, Coaf e registros financeiros.

Em relação aos familiares de Dias Toffoli, Vieira pede esclarecimentos sobre transações imobiliárias e societárias ligadas ao Tayayá Aqua Resort, no Paraná. Segundo o relator, empresas ligadas aos irmãos e a um primo do ministro tiveram participação no empreendimento, posteriormente transferida a fundos e holdings administrados pela CBSF DTVM, gestora investigada na Operação Carbono Oculto por suspeitas de lavagem de dinheiro vinculadas ao PCC.

O senador também cita reportagem do Estadão que aponta que a residência de José Eugênio Dias Toffoli aparece como sede de uma empresa envolvida na venda de parte do resort por R$ 3 milhões a um fundo ligado ao cunhado do dono do Banco Master. Vieira afirma ainda que há indícios de incompatibilidade entre o padrão de vida dos familiares e os valores das negociações.

Os requerimentos foram apresentados na última segunda-feira (2), no início do ano legislativo. A próxima reunião da CPI do Crime Organizado está prevista para 10 de fevereiro, quando os pedidos poderão ser analisados. Procurados, os citados não responderam até a publicação. O espaço segue aberto.