Declarações de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas provocam repercussão e geram debate na pré-campanha

Senador defende ampliação da presença de observadores internacionais nas eleições, enquanto TSE reafirma que sistema brasileiro não utiliza equipamentos nem softwares da empresa citada pelo parlamentar.

Publicado em 23 de julho de 2026 às 08:52

Flávio Bolsonaro falando em video no Youtube -
Flávio Bolsonaro falando em video no Youtube - Crédito: Foto: @flaviobolsonaro via YouTube

As declarações do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante um encontro com representantes diplomáticos em Brasília, reacenderam o debate sobre o sistema eleitoral brasileiro e repercutiram nos bastidores da disputa presidencial de 2026. No evento, realizado na última terça-feira (21), o parlamentar mencionou questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas e defendeu a participação ampliada de observadores internacionais no processo eleitoral.

Durante a apresentação, Flávio Bolsonaro citou a empresa "Smartmatic" ao comentar denúncias relacionadas ao sistema eleitoral venezuelano. Em resposta à repercussão, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiterou que a companhia nunca forneceu urnas eletrônicas nem desenvolveu os programas utilizados nas eleições brasileiras. Segundo a Corte, todo o projeto das urnas e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é administrado pela própria Justiça Eleitoral.

Ao se manifestar sobre o tema, o senador afirmou que não pretendia colocar em dúvida o modelo brasileiro de votação, mas defendeu que especialistas e missões internacionais acompanhem o processo eleitoral para ampliar a transparência. Na mesma fala, ele voltou a criticar a decisão da Justiça Eleitoral que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível após reunião com embaixadores realizada em 2022.

A repercussão do episódio também alcançou o ambiente político. Integrantes da pré-campanha e dirigentes partidários avaliam que a retomada do debate sobre as urnas eletrônicas pode dificultar a estratégia de ampliar o diálogo com eleitores independentes e partidos de centro, considerada importante para a construção de alianças na corrida ao Palácio do Planalto. Essas avaliações foram divulgadas por veículos de imprensa que acompanham os bastidores da campanha.

Desde 2022, o TSE mantém disponível uma série de esclarecimentos públicos sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e reforça que o sistema brasileiro passa por etapas de auditoria, fiscalização por entidades habilitadas e testes públicos de segurança antes de cada eleição. Após as declarações de Flávio Bolsonaro, a Corte voltou a divulgar essas informações para rebater a associação entre o sistema brasileiro e a empresa mencionada pelo senador.

O episódio ocorre em um momento de intensificação da pré-campanha presidencial e recoloca o tema da confiança no processo eleitoral no centro das discussões políticas, assunto que já marcou disputas eleitorais anteriores e continua sendo acompanhado por partidos, instituições e observadores nacionais e internacionais.

Texto por Pedro Moraes, com a supervisão de Danielle Zuquim.