Deputado federal gasta mais de R$ 200 mil da cota parlamentar com empresa da própria família

Despesas podem ferir regras da Câmara, que proíbem reembolsos a parentes até o terceiro grau.

Publicado em 3 de maio de 2026 às 12:40

Wilson Santiago alugou veículos de uma empresa ligada à própria família - 
Wilson Santiago alugou veículos de uma empresa ligada à própria família -  Crédito: Divulgação/Câmara dos Deputados

O deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB) utilizou mais de R$ 203 mil da cota parlamentar para alugar veículos de uma empresa ligada à própria família, segundo documentos fiscais. O caso pode configurar descumprimento das normas da Câmara dos Deputados, que vedam esse tipo de reembolso.

As notas fiscais foram emitidas pela Construtora e Locadora JMX, que tem como sócios dois sobrinhos do parlamentar, Thiago e Thaísa Santiago. Eles são filhos de José Milton Santiago, irmão do deputado.

De acordo com as regras da Câmara, não é permitido o ressarcimento de despesas feitas com empresas pertencentes a parlamentares ou a familiares até o terceiro grau — o que inclui sobrinhos. Em resposta à reportagem, a própria Casa Legislativa reforçou a existência dessa proibição.

Os documentos indicam que, entre maio de 2024 e março de 2026, foram apresentados 22 pedidos de reembolso relacionados ao aluguel de veículos, incluindo modelos como o Tiggo 7, da Caoa Chery, e o Jeep Commander. Em uma das notas mais recentes, referente a março deste ano, consta o valor de R$ 12 mil pelo aluguel mensal de um dos automóveis.

Parte das notas fiscais está acompanhada de recibos assinados por Thiago Santiago, também conhecido como Thiago de Azulão, que além de empresário é vereador no município de Uiraúna (PB), pelo mesmo partido do deputado.

A cota parlamentar é uma verba indenizatória destinada ao custeio de despesas relacionadas ao exercício do mandato, como transporte, alimentação e serviços. Segundo a Câmara, o próprio parlamentar é responsável pelas informações apresentadas nas notas fiscais.

Em nota, a instituição destacou que, ao identificar possíveis irregularidades, pode suspender o reembolso e, caso o valor já tenha sido pago, solicitar a devolução dos recursos. A Câmara também ressaltou que os gastos são públicos e podem ser acompanhados por cidadãos e órgãos de controle por meio do portal da transparência.

O caso pode ser alvo de apuração para verificar eventual irregularidade no uso de recursos públicos.