Publicado em 6 de outubro de 2026 às 15:17
Os brasileiros elegeram no último domingo (4) 12 mulheres para o Senado, entre as 54 vagas em disputa. É o maior número de senadoras eleitas em um mesmo pleito desde a redemocratização.>
Até então, o recorde havia sido registrado em 2002, quando oito mulheres conquistaram cadeiras na Casa. Em 2018, última eleição em que também foram renovados dois terços do Senado, sete mulheres foram eleitas.>
Com o resultado, a bancada feminina deve passar das atuais 15 para 18 integrantes a partir de 2027 (considerando também as suplentes que estiverem no exercício do mandato).>
Se esse número se confirmar, elas representarão 22,2% das 81 cadeiras do Senado. Em 2026, a Casa chegou a ter 16 senadoras simultaneamente em exercício, o equivalente a 19,8% das cadeiras.>
O pleito deste ano também estabeleceu outro marco, com a vitória de duas mulheres no Distrito Federal. Até então, nenhuma unidade da Federação havia elegido duas mulheres para o Senado na mesma eleição.>
As 12 eleitas iniciarão tomarão posse no Senado em fevereiro de 2027, com mandatos até 2035. Veja quem são elas:>
Novas senadoras>
UF Eleita(s)>
AC Mara Rocha (Republicanos)>
AL Marina JHC (PSDB)>
AP Rayssa Furlan (Podemos)>
CE Luizianne (Rede)>
DF Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (ambas do PL)>
GO Gracinha Caiado (União)>
MG Marília Campos (PT)>
PE Marília Arraes (PDT)>
RN Samanda de Lula (PT)>
RR Teresa Surita (MDB)>
SC Carol de Toni (PL)>
Além das eleitas no domingo, seis mulheres ocupam atualmente cadeiras com mandato até 2031: Damares Alves (Republicanos-DF), Professora Dorinha Seabra (União-TO), Teresa Leitão (PT-PE) e Tereza Cristina (PP-MS), eleitas titulares em 2022, além de Jussara Lima (PSD-PI) e Lourdinha Pereira (PSB-MA), que exercem o mandato na condição de suplentes.>
Nenhuma das atuais senadoras que concorriam a novo mandato conseguiu se reeleger neste domingo. Em 2027, deixarão a atual composição da bancada Leila Barros (PDT-DF), Eliziane Gama (PSD-MA), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Mara Gabrilli (PSD-SP), além de Dra. Eudócia (PSDB-AL), Daniella Ribeiro (PP-PB), Roberta Acioly (Republicanos-RR) e Ivete da Silveira (MDB-SC).>
Dupla feminina>
A presença simultânea de duas mulheres na bancada de uma mesma unidade da Federação não é novidade no Senado. O primeiro caso ocorreu no Amazonas, em 2015, quando Vanessa Grazziotin (PCdoB), eleita em 2010, passou a dividir a representação do estado com Sandra Braga (MDB), primeira suplente de Eduardo Braga (MDB), que assumiu o mandato durante a licença do titular para comandar o Ministério de Minas e Energia.>
Em 2019, Mato Grosso do Sul também passou a ter duas senadoras entre seus três representantes, com Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (PSB). Naquele momento, era a única unidade da Federação com maioria feminina na bancada.>
Em 2023, o Distrito Federal e o Maranhão se juntaram a esse grupo, ao passarem também a contar com duas mulheres simultaneamente no Senado.>
Presença nos estados>
O resultado de 2026 modifica o mapa histórico da presença feminina no Senado. Com a eleição de Rayssa Furlan, a primeira senadora pelo Amapá, o Piauí passa a ser a única unidade da Federação que nunca elegeu uma mulher para a Casa.>
A eleição ocorreu em um ano de crescimento do número de candidaturas femininas ao Senado. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registravam 70 mulheres na disputa, o equivalente a 21,94% das candidaturas ao cargo. Em números absolutos, era o maior total das três últimas eleições: foram 58 candidatas em 2022 e 63 em 2018.>
A presença feminina na Casa, no entanto, não depende apenas do resultado das urnas. A composição da bancada pode mudar ao longo da legislatura com a posse de suplentes. Em 2023, por exemplo, a previsão inicial era de 11 senadoras, mas o número chegou a 15 com a posse de quatro suplentes de parlamentares nomeados ministros.>
Considerando também as suplentes que exerceram o mandato, todas as unidades da Federação já tiveram mulheres no Senado. A primeira foi Eunice Michiles, que assumiu como suplente em 1979. As primeiras mulheres eleitas diretamente para a Casa foram Júnia Marise (MG) e Marluce Pinto (RR), em 1990.>
Série histórica>
A presença de mulheres no Senado cresceu de forma gradual nas últimas décadas, embora com oscilações. No início da sessão legislativa de 1980, havia apenas uma senadora em exercício. O número chegou a 5 em 1995, 10 em 2007 e 14 em 2015. Em 2026, alcançou 16, o maior patamar da série histórica até agora.>
Fonte: Agência Senado>