Esquerda acelera estratégia no WhatsApp e tenta alcançar modelo de comunicação usado pela direita, afirma Metrópoles

Canal criado por André Janones, batizado de “Exército do Lula”, saltou de 50 mil para quase 1 milhão de seguidores em dois dias.

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 20:49

(O deputado federal André Janones (Rede-MG) e presidente Lula (PT). 
(O deputado federal André Janones (Rede-MG) e presidente Lula (PT).  Crédito: Redes Sociais/Instagram 

É no celular, e especialmente nos grupos e canais de mensagens, que uma parte importante da disputa eleitoral de 2026 vem sendo travada. No segundo turno, um movimento ligado ao campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a apostar em uma estratégia de comunicação digital semelhante à utilizada por grupos de direita desde 2018.

O deputado federal André Janones (Rede-MG), reeleito no domingo, criou um canal no WhatsApp chamado “Exército do Lula” e convocou apoiadores a participar da mobilização. Entre segunda-feira (5) e esta terça-feira (6), o canal saiu de cerca de 50 mil para quase 1 milhão de seguidores, segundo os números divulgados sobre a plataforma.

A estratégia combina comunicação direta, mensagens em áudio e tarefas destinadas à militância. Em tom de conversa, Janones orienta os seguidores a ampliar o alcance das publicações e chega a pedir que o canal seja compartilhado com pelo menos quatro outras pessoas.

O modelo lembra a estratégia adotada por Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018, quando mensagens distribuídas diretamente à militância pelas redes sociais se tornaram uma das marcas da comunicação política do então candidato.

Agora, a estrutura é utilizada pelo campo de Lula em uma tentativa de ampliar rapidamente sua presença no ambiente digital durante a reta final da eleição.

Uma das mensagens divulgadas pelo canal alcançou 31 mil reações e 15 mil compartilhamentos, segundo os dados apresentados. A estrutura também impulsionou um vídeo do pastor batista Ed René Kivitz com críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro. A publicação já teria alcançado 8,7 milhões de visualizações.

O movimento mira especialmente um eleitorado considerado estratégico para a disputa presidencial: os evangélicos. Historicamente, candidatos e grupos ligados à direita têm construído forte presença nesse segmento nas redes sociais.

Janones ensina seguidores a ampliar alcance

Além de divulgar conteúdo político, Janones passou a orientar diretamente os apoiadores sobre mecanismos de distribuição das plataformas da Meta.

Nos áudios enviados aos seguidores, ele explica estratégias para evitar que publicações concorram entre si, orienta sobre o uso de collabs, repostagens e distribuição sequencial de vídeos.

A lógica é transformar os próprios apoiadores em uma rede de distribuição de conteúdo, aumentando a possibilidade de que uma mesma mensagem ultrapasse o público originalmente alcançado pelo canal.

Direita ainda domina ranking de influência

O movimento ocorre em um ambiente digital no qual a direita e a centro-direita ainda aparecem numericamente à frente.

Segundo levantamento da Zeeng citado no material, entre os 100 políticos mais influentes no Instagram no primeiro semestre de 2026, 76 eram identificados com a direita ou centro-direita. A esquerda e a centro-esquerda somavam 16 nomes, enquanto outros oito estavam no centro.

Janones aparece como uma das exceções. O deputado ocupava a 14ª posição no ranking, com média de 73.820 interações por publicação.

A velocidade de crescimento do “Exército do Lula” mostra que, na reta final da eleição, a disputa também passa pela capacidade de transformar seguidores em uma rede organizada de distribuição de mensagens, e de fazer o conteúdo político chegar diretamente ao celular do eleitor.

Com informações do portal Metrópoles