Governadores eleitos no Rio de Janeiro foram presos ou destituídos do cargo nos últimos 30 anos

Ex-governador foi condenado pelo placar de 5 a 2 em julgamento que confirmou uso irregular da máquina pública; estado terá eleição indireta após renúncia do político.

Publicado em 26 de março de 2026 às 14:51

Cláudio Castro renunciou ao cargo na segunda-feira (23). —
Cláudio Castro renunciou ao cargo na segunda-feira (23). — Crédito: Reprodução/Internet

Na última terça-feira (24), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou a inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), por um período de oito anos. A decisão, tomada por 5 votos a 2, baseou-se na acusação de abuso de poder político e econômico, além de uso indevido da máquina pública durante a campanha eleitoral de 2022. Com essa condenação, Castro fica fora das corridas eleitorais deste ano e de 2030.

O esquema que levou à condenação envolveu a criação de mais de 27 mil cargos irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo a denúncia do Ministério Público Eleitoral, essas contratações tinham como objetivo mobilizar cabos eleitorais para favorecer a reeleição de Castro. A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, destacou em seu voto o elevado grau de reprovabilidade da conduta, citando a ausência de transparência e pagamentos em espécie a milhares de contratados.

Cláudio Castro renunciou ao cargo na segunda-feira (23), véspera do julgamento, sob a justificativa de que seria pré-candidato ao Senado. No entanto, analistas e informações de bastidores indicam que a manobra foi uma tentativa de esvaziar o processo no TSE e impedir a cassação do mandato, que ocorreria simultaneamente à inelegibilidade.

Como o estado também está sem vice-governador, já que Thiago Pampolha deixou o posto para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, o Rio de Janeiro vive uma dupla vacância. Atualmente, o governo é exercido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto. A Assembleia Legislativa (Alerj) deve realizar uma eleição indireta nos próximos 30 dias para escolher quem governará o estado até o fim de 2026.

Cláudio Castro torna-se o sétimo ex-governador do Rio de Janeiro a ficar inelegível ou sofrer graves sanções judiciais nos últimos 30 anos. Ele se junta a uma lista que inclui nomes como Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Wilson Witzel, todos alvos de prisões, cassações ou processos de impeachment.

Além de Castro, o TSE também cassou o diploma do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Alerj, e aplicou multas a outros envolvidos no caso Ceperj, incluindo o ex-vice Thiago Pampolha.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.