Indígenas desocupam sede da Cargill no Pará após Governo do Brasil revogar decreto

Decisão ocorre após mais de 30 dias de protestos contra inclusão de hidrovias no Programa Nacional de Desestatização

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 19:37

Governo Federal 
Governo Federal  Crédito: SGPR - Divulgação

O governo federal decidiu suspender o decreto que autorizava a inclusão das hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). A decisão ocorre após cerca de um mês de protestos liderados por comunidades indígenas em Santarém, no oeste do Pará.

Ao longo do fim de semana, manifestantes ocuparam instalações da multinacional Cargill no município, em um ato que ganhou repercussão nacional. Segundo testemunha da agência Reuters presente no local, os grupos comemoraram a revogação do decreto assim que a decisão foi anunciada.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (23), pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, após reunião com lideranças indígenas.

“Os povos indígenas vêm de uma manifestação de mais de 30 dias questionando o decreto, apontando os efeitos que poderiam ter para suas comunidades, também para quilombolas e ribeirinhas”, afirmou o ministro.

As hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós haviam sido incluídas no PND em agosto de 2025 para a realização de estudos sobre uma possível privatização. As comunidades tradicionais argumentavam que a medida poderia gerar impactos socioambientais significativos e afetar seus territórios e modos de vida.

(Momento que os povos originários comemoram a decisão do Governo do Brasil)
(Momento que os povos originários comemoram a decisão do Governo do Brasil) Crédito: Redes Sociais/Instagram 

Com a suspensão do decreto, os manifestantes consideram que houve um avanço no diálogo com o governo federal, embora indiquem que continuarão acompanhando os desdobramentos do tema.

Com informações do portal de notícias Terra