Lula defende enriquecimento de urânio e diz que Brasil não pode andar de “cabeça baixa”

Presidente afirmou que domínio da tecnologia nuclear é estratégico para a soberania brasileira e defendeu recursos para concluir submarino de propulsão nuclear.

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 21:35

(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Crédito: Reprodução YouTube 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (19), que o Brasil avance no enriquecimento de urânio para fins pacíficos e amplie os investimentos em tecnologia nuclear. A declaração ocorreu durante visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo.

Durante o discurso, Lula associou o domínio da tecnologia nuclear à soberania nacional e afirmou que o Brasil não pode manter uma postura de submissão diante de outras nações.

“Soberania não é só discurso. É estar preparado para eles saberem que podemos dizer não, que podemos competir. O que não pode é ser cabeça baixa a vida inteira”, afirmou o presidente.

Lula também defendeu que o país tenha capacidade de enriquecer urânio para produção de energia e outras aplicações pacíficas, ressaltando que essa possibilidade está prevista na Constituição brasileira.

Submarino nuclear

Na visita ao complexo da Marinha, o presidente também cobrou a garantia de recursos para a conclusão do submarino brasileiro de propulsão nuclear. Para Lula, o projeto é estratégico não apenas para a defesa, mas também para o desenvolvimento tecnológico e a geração de empregos qualificados.

Segundo o presidente, projetos de longo prazo não deveriam ficar sujeitos à instabilidade do orçamento anual. Ele defendeu uma previsão financeira específica para garantir a continuidade do programa.

A tecnologia desenvolvida no programa nuclear brasileiro também possui aplicações civis, incluindo áreas como energia e saúde. O Brasil já domina técnicas de enriquecimento de urânio e mantém seu programa nuclear sob o princípio constitucional de utilização para fins pacíficos.

Discurso de soberania

A fala ocorre em um momento em que Lula tem reforçado, em seus discursos, a necessidade de ampliar a autonomia tecnológica e estratégica do Brasil.

Para o presidente, o domínio de tecnologias consideradas estratégicas permitiria ao país ter maior capacidade de negociação internacional e competir em áreas de alta complexidade.

“Uma coisa dessa não pode ficar à mercê da volatilidade do nosso orçamento”, afirmou Lula ao defender a continuidade do projeto do submarino nuclear.

Com informações do portal g1