Lula e Motta se reúnem para debater envio de projeto do fim da escala 6×1

O encontro ocorre após ruídos recentes entre o Executivo e o Legislativo sobre o conteúdo e o timing da proposta e é visto como uma tentativa de coordenar esforços em torno de uma pauta que ganhou força política nas últimas semanas

Publicado em 14 de abril de 2026 às 13:54

O encontro ocorre após ruídos recentes entre o Executivo e o Legislativo sobre o conteúdo e o timing da proposta e é visto como uma tentativa de coordenar esforços em torno de uma pauta que ganhou força política nas últimas semanas
O encontro ocorre após ruídos recentes entre o Executivo e o Legislativo sobre o conteúdo e o timing da proposta e é visto como uma tentativa de coordenar esforços em torno de uma pauta que ganhou força política nas últimas semanas Crédito: Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta terça-feira com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um almoço no Palácio do Planalto, com o objetivo de alinhar o envio do projeto de lei que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. O encontro ocorre após ruídos recentes entre o Executivo e o Legislativo sobre o conteúdo e o timing da proposta e é visto como uma tentativa de coordenar esforços em torno de uma pauta que ganhou força política nas últimas semanas.

A intenção do governo é encaminhar um texto próprio com pedido de urgência, o que obrigaria a Câmara a analisá-lo dentro de um prazo determinado, sob risco de travamento da pauta. Auxiliares de Lula indicam que a estratégia inclui dividir a tramitação com uma proposta já em andamento na Casa, evitando concentrar o debate apenas em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

O projeto em elaboração prevê a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, com base no argumento de que ganhos de produtividade poderiam compensar a mudança. No Planalto, a proposta é tratada como uma vitrine social do governo, com forte apelo popular, especialmente em um contexto pré-eleitoral.

Apesar disso, a iniciativa gerou divergências com a Câmara. Na semana passada, Motta afirmou que o governo teria recuado do envio de um novo texto — versão rapidamente desmentida pelo Planalto. No dia seguinte, Lula reafirmou publicamente que enviaria a proposta ainda nesta semana, o que até agora não se concretizou.

No Congresso, a avaliação é que já existem mecanismos para tratar do tema. Tramita na Comissão de Constituição e Justiça uma PEC que prevê a redução da jornada e a adoção de modelos como o 5×2. Motta sinaliza que a chegada de um projeto do Executivo não deve interromper o andamento dessa proposta, aumentando o risco de sobreposição entre iniciativas.

Aliados de ambos os lados reconhecem que houve falhas de coordenação política e veem o encontro desta terça-feira como uma oportunidade para organizar o processo, definir protagonismos e evitar conflitos. A expectativa é de construção de uma estratégia conjunta, que pode incluir divisão de etapas ou convergência entre os textos.

Atualmente, a escala 6×1, seis dias de trabalho para um de descanso, é comum em setores como comércio e serviços. A proposta de revisão tem mobilizado diferentes correntes no Congresso. Apesar do apelo social, enfrenta resistência de representantes do setor produtivo, que apontam possíveis aumentos de custos e impactos na produtividade.

Reaproximação no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também deve comparecer ao Planalto para a posse de José Guimarães. O gesto é interpretado como um sinal de distensão após meses de desgaste na relação com o governo.

O afastamento entre Alcolumbre e Lula se intensificou durante a crise envolvendo a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Desde então, o senador vinha adotando postura mais distante em relação à pauta governista.

Interlocutores afirmam que a presença no evento está mais ligada à relação com Guimarães do que a uma reaproximação direta com Lula. Ainda assim, o movimento é visto por aliados como um passo importante para reabrir canais de diálogo, em um momento em que o governo busca fortalecer sua articulação política no Congresso.

Com informações do G1