Lula embarca para a Ásia em missão estratégica para ampliar parcerias

Viagem combina diplomacia, inteligência artificial e ofensiva comercial em setores como agro, tecnologia e minerais estratégicos.

Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 07:34

Lula embarca para a Ásia em missão estratégica para ampliar parcerias
Lula embarca para a Ásia em missão estratégica para ampliar parcerias Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Em meio à reorganização das cadeias globais de produção e ao aumento das tensões geopolíticas, o presidente Luiz Inacio Lula da Silva inicia nesta terça-feira (17), uma missão oficial à Ásia com foco declarado na ampliação de parcerias estratégicas e na abertura de novos mercados para produtos brasileiros. O roteiro inclui compromissos na India e na Coreia do Sul, combinando agendas diplomáticas, empresariais e tecnológicas.

A primeira etapa ocorre a convite do primeiro-ministro Narendra Modi. Em Nova Délhi, Lula participa da Cúpula de Inteligência Artificial, marcada para os dias 19 e 20, além de encontros bilaterais e reuniões com empresários. O Brasil deve copresidir, ao lado do Japao, um grupo de trabalho voltado ao desenvolvimento de uma inteligência artificial considerada segura e confiável.

A viagem prevê ainda a assinatura de aproximadamente oito atos bilaterais. Entre eles, uma declaração sobre cooperação digital e um memorando de entendimento envolvendo minerais críticos e terras raras, insumos estratégicos para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética. O governo trata o documento como um acordo-base para futuras iniciativas conjuntas na área industrial.

No campo econômico, o agronegócio ocupa posição central nas negociações. A equipe brasileira busca avançar na ampliação do acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Índia e discutir barreiras que hoje dificultam a entrada de produtos nacionais no mercado indiano. Entre os temas em debate estão a criação de cotas para exportação de feijão guandu e a revisão de tarifas que chegam a cerca de 100% sobre cortes de frango, fator que praticamente inviabiliza a venda do produto brasileiro ao país asiático.

Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, a meta é estabelecer mecanismos que garantam maior previsibilidade às trocas comerciais com a Índia, considerada estratégica pelo tamanho de seu mercado consumidor e pela instabilidade recorrente da produção agrícola local.

A agenda inclui ainda o encerramento do Fórum Empresarial organizado pela Apex-Brasil no dia 21, além da inauguração do escritório da agência em Nova Délhi. O evento reúne representantes dos setores de alimentos, tecnologia, mineração, aeronáutica e indústria, com discussões sobre segurança alimentar, inovação agrícola, cadeias produtivas e transição energética.

A missão presidencial ocorre após uma intensificação no diálogo bilateral nos últimos anos, marcada pela visita de Modi ao Brasil em 2025 e por uma missão multissetorial liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin à capital indiana.

Após a etapa na Índia, Lula segue para Seul, onde se encontrará com o presidente Lee Jae-myung e participará do Fórum Empresarial Brasil-Coreia. O governo brasileiro pretende utilizar a visita para atrair investimentos e negociar a ampliação do acesso de produtos agropecuários, especialmente carnes bovina e suína, além de bens de maior valor agregado.

Com retorno previsto para o dia 24, a viagem é tratada no Palácio do Planalto como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação de parceiros comerciais, redução da dependência de mercados tradicionais e fortalecimento da presença brasileira em economias de grande escala.