Publicado em 6 de setembro de 2026 às 18:02
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou neste domingo (6) para julgamento em plenário o caso que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master. Com a medida, caberá agora ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, definir quando o tema será analisado pelos demais integrantes do Supremo.>
O plenário deverá decidir se há elementos suficientes para a abertura de uma investigação relacionada às informações reunidas pela Polícia Federal (PF). Apesar da liberação do processo, a expectativa é que Fachin aguarde o término do prazo de cinco dias concedido às partes envolvidas para apresentar manifestações antes de incluir o caso na pauta.>
A movimentação ocorre após Mendonça tornar público, na última terça-feira (1º), um relatório da Polícia Federal que aponta indícios de uma relação próxima entre Vorcaro e Moraes. Segundo o documento, o empresário teria buscado orientação do ministro durante a crise que atingiu o Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 em meio a investigações sobre supostas fraudes bilionárias.>
O relatório reúne mensagens extraídas do celular de Vorcaro e cita conversas atribuídas a um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”. De acordo com a PF, em alguns episódios o ex-banqueiro registrava anotações no aparelho e, instantes depois, enviava mensagens ao referido contato.>
Entre os trechos destacados pelos investigadores está uma anotação em que Vorcaro afirma ter recebido “informações informais e em confidência de turma do Banco Central”. No mesmo registro, ele menciona a necessidade de “reforçar com Andrei e Paulo” para evitar medidas que poderiam prejudicá-lo. A Polícia Federal avalia que as referências podem ser ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.>
Ao analisar o material encaminhado pela PF, Mendonça determinou que os novos elementos fossem separados da investigação original e passassem a tramitar em uma petição própria no STF. O ministro também encaminhou o caso para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).>
Na decisão, Mendonça afirmou que a análise do caso pelo plenário é necessária independentemente do posicionamento que venha a ser adotado pela PGR.>
“Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu o ministro.>
Mendonça também determinou a retirada do sigilo do processo. Segundo ele, o interesse público e a perspectiva de análise pelo plenário justificam que os autos tramitem de forma aberta, permitindo maior transparência sobre o caso.>