Michelle Bolsonaro cogita abandonar a vida política, dizem aliados

Ex-primeira-dama demonstra frustração com conflitos internos no PL, ataques nas redes sociais e atritos com Flávio Bolsonaro, segundo pessoas próximas.

Publicado em 1 de julho de 2026 às 19:25

(Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro)
(Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro) Crédito: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem sinalizado a pessoas próximas a intenção de deixar a vida política. Segundo fontes próximas a ela, o sentimento de frustração com o atual cenário do bolsonarismo está consolidado.

Aliados afirmam que Michelle está irredutível quanto aos recentes atritos internos, especialmente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu enteado. Um dos principais pontos de desgaste foi um vídeo publicado por ela na semana passada, no qual afirmou ter levado uma “punhalada” no ano passado e expôs publicamente as desavenças com Flávio.

O episódio ganhou novo capítulo quando o influenciador Paulo Figueiredo afirmou que “mulheres votam mal”, declaração que gerou forte incômodo em Michelle. Nesta quarta-feira (1º), Flávio repudiou o caso durante encontro com mulheres conservadoras, mas aliados da ex-primeira-dama consideraram insuficiente o posicionamento do senador, que pediu desculpas apenas em caso de “ofensa”.

Michelle também tem reclamado do que descreve como uma “bolha assassina” nas redes sociais, que atingiria especialmente mulheres. Na terça-feira (30), ela se reuniu com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ocasião em que manifestou irritação com as críticas internas e com a forma como o debate tem sido conduzido no campo bolsonarista.

Outro fator que tem contribuído para o desgaste são as defesas feitas por Michelle de candidaturas femininas em disputas estaduais, como a de Priscila Costa, no Ceará, e da deputada Carol de Toni, em Santa Catarina.

A ex-primeira-dama tem repetido para aliados que “não aguenta o jogo político tradicional” e que entrou na vida pública com o objetivo de atuar de forma diferente. A percepção de que o ambiente político é machista tem reforçado sua disposição de recuar de eventuais planos eleitorais.

Caso Michelle confirme a decisão de não disputar cargos eletivos, o cenário no Distrito Federal deve ser impactado. Sem ela como possível candidata ao Senado, ganham força os nomes do ex-governador Ibaneis Rocha e do senador Izalci Lucas (PL-DF).

Apesar do momento de incerteza, lideranças do PL ainda tentam convencê-la a permanecer na política. Durante a reunião de terça, Celina Leão teria destacado a importância de Michelle para o fortalecimento da participação feminina e para o projeto PL Mulher.