Por que 11 dos 17 deputados federais do Pará conseguiram se reeleger? Entenda a baixa renovação

Apenas seis novos nomes chegam à bancada paraense em 2027, enquanto 64,7% das cadeiras permanecem com os mesmos parlamentares

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 15:48

(Câmara dos Deputados.)
(Câmara dos Deputados.) Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O Pará terá uma nova composição na Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027, mas a mudança será menor do que uma primeira leitura dos resultados pode sugerir. Dos 17 deputados federais eleitos neste domingo (4), 11 conseguiram renovar o mandato, enquanto seis ocuparão pela primeira vez uma cadeira da bancada paraense na próxima legislatura.

Na prática, isso significa que 64,71% das cadeiras foram mantidas, enquanto 35,29% representam renovação. O cálculo considera as seis vagas que passaram a ser ocupadas por nomes que não integravam a bancada federal paraense na atual legislatura.

A renovação do Pará ficou próxima da registrada no conjunto da Câmara. Em todo o país, 183 dos 513 deputados eleitos em 2026 exercerão o primeiro mandato na Casa, o equivalente a 35,67% de renovação.

Quem continua

Entre os deputados que conseguiram permanecer na Câmara estão Delegado Caveira (PL), Dra. Alessandra Haber (Podemos), Júnior Ferrari (PSD), Renilce Nicodemos (MDB), Dilvanda Faro (PT), Priante (MDB), Andréia Siqueira (PSB), Joaquim Passarinho (PL), Antonio Doido (MDB), Airton Faleiro (PT) e Raimundo Santos (PSD).

A permanência desses nomes ajuda a explicar por que a composição da bancada mudou menos do que poderia. A maioria dos parlamentares que já ocupava uma cadeira conseguiu manter sua posição, enquanto seis atuais deputados deixaram de fazer parte da representação paraense.

Entre as mudanças, estão situações diferentes. Celso Sabino (PDT) e Delegado Éder Mauro (PL), por exemplo, deixaram a disputa pela Câmara para concorrer ao Senado, mas não foram eleitos. Elcione Barbalho (MDB) tentou uma vaga na Assembleia Legislativa do Pará e também não conseguiu se eleger. Henderson Pinto (União Brasil), Keniston Braga (MDB) e Olival Marques (Podemos) não conseguiram renovar o mandato na Câmara.

Quem chega à bancada

Os seis novos nomes são Jader Filho (MDB), Lu Ogawa (PP), Adriano Coelho (MDB), Cássio Andrade (MDB), Rogério Barra (PL) e Bob Fllay (Podemos). Jader Filho foi o segundo candidato mais votado do estado, com 326.617 votos.

A nova bancada também mantém o MDB como principal força partidária do Pará, com seis cadeiras. O PL terá três deputados, enquanto Podemos, PSD e PT terão dois cada. PSB e PP ocuparão uma cadeira cada.

Por que os deputados conseguem se reeleger?

A alta permanência de deputados não é um fenômeno exclusivo do Pará, nas eleições de 2026, 301 deputados que já estavam no exercício do mandato foram reeleitos, segundo a Câmara, o equivalente a 58,6% dos parlamentares considerados aptos à reeleição.

Um dos fatores que ajudam a explicar esse cenário é a própria vantagem de quem já ocupa uma cadeira. Durante o mandato, o deputado possui maior exposição política e pode atuar diretamente na destinação de recursos do Orçamento por meio das emendas parlamentares. A própria Câmara destaca que os parlamentares podem indicar recursos para estados e municípios e participar da definição do orçamento federal.

Em agosto, os candidatos a deputado federal já haviam declarado R$ 982,8 milhões em receitas para as campanhas de 2026, sendo 95% provenientes de recursos públicos, como o Fundo Eleitoral e o Fundo Partidário.

Outro ponto é que a eleição para deputado federal segue o sistema proporcional, o eleitor vota no candidato, mas esse voto também é contabilizado para o partido ou federação. As cadeiras são distribuídas de acordo com a votação das legendas e, depois, ocupadas pelos candidatos mais votados dentro de cada grupo.

Isso faz com que a eleição não dependa apenas da força individual de cada candidato. A estrutura partidária, a capacidade de formar uma chapa competitiva e a votação obtida pela legenda também influenciam a distribuição das cadeiras.

Uma bancada que muda pouco

O resultado das urnas mostra uma bancada paraense com mais continuidade do que renovação, dos 17 representantes que assumirão em 2027, quase dois terços já possuem experiência na Câmara.

A renovação de 35,29% significa que pouco mais de um terço das cadeiras mudou de ocupante. Ao mesmo tempo, a chegada de seis novos deputados modifica parcialmente o equilíbrio interno da bancada, principalmente com o crescimento do MDB, que passou a concentrar seis das 17 cadeiras.

A nova composição tomará posse em 1º de fevereiro de 2027 e terá quatro anos de mandato.