Teoria de “clone de Bolsonaro” viraliza e influenciador afirma que ex-presidente não está preso no Brasil

Luciano Cesa espalha narrativa de que Bolsonaro estaria nos EUA e teria sido substituído na prisão da PF; alegações não têm provas e vão na contramão das decisões do STF.

Publicado em 30 de novembro de 2025 às 10:05

Teoria foi divulgada pelo influenciador Luciano Cesa - 
Teoria foi divulgada pelo influenciador Luciano Cesa -  Crédito: Redes sociais

Uma nova teoria conspiratória envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ganhou força nas redes sociais nos últimos dias. A especulação começou após o influenciador Luciano Cesa afirmar que Bolsonaro não está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, mas teria sido “substituído” por um suposto clone ou representante.

Em vídeos compartilhados com seus mais de 250 mil seguidores no Instagram e 323 mil inscritos no YouTube, Cesa sustenta — sem apresentar qualquer evidência — que Bolsonaro estaria vivendo há meses nos Estados Unidos. Ele chegou a afirmar que o ex-presidente teria sido visto recentemente no país e estaria abrigado em uma instalação militar conhecida como Cheyenne Mountain.

“O nosso capitão está seguro. Segundo informações que eu tenho, ele está em um lugar muito seguro nos EUA há muito tempo. Ele foi visto lá há alguns dias”, declarou o influenciador em uma de suas transmissões.

Cesa, conhecido por divulgar teorias da conspiração — incluindo a negação do número de vítimas do Holocausto — também disse que Bolsonaro e Donald Trump fariam parte de uma suposta organização chamada “Aliança da Terra”, dedicada a “libertar o planeta”. Assim como as outras alegações, não há qualquer respaldo factual para a existência desse grupo.

A versão espalhada por Cesa contradiz diretamente informações oficiais. Bolsonaro teve a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Polícia Federal. A corporação apontou risco à ordem pública e o descumprimento de medidas judiciais anteriormente impostas.

Entre os elementos que fundamentaram a detenção estão a convocação de apoiadores para uma vigília em frente ao condomínio onde morava e violações da tornozeleira eletrônica. Na última terça-feira (23), Moraes determinou o início imediato do cumprimento da pena definitiva, e, no dia seguinte, o plenário do STF confirmou a decisão de forma unânime.

O ex-presidente foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma organização criminosa envolvida em uma trama golpista.

Até o momento, não há qualquer indício que sustente as teorias disseminadas nas redes sociais. A Polícia Federal reafirma que Jair Bolsonaro encontra-se sob custódia na sede da corporação, em Brasília.