Publicado em 20 de abril de 2026 às 21:59
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência, voltou a comparar nesta segunda-feira, 20, as ações do Supremo Tribunal Federal (STF) aos casos de pedofilia cometidos por membros da Igreja Católica. A crítica ocorre após o ministro Gilmar Mendes enviar uma representação ao ministro Alexandre de Moraes pedindo a investigação de Zema por compartilhar em suas redes sociais um vídeo debochando dos ministros da Corte.>
"Estou longe de ter qualquer posicionamento radical ou extremista. Agora, falar que não estou indignado e inconformado com ministros do Supremo que deveriam ser exemplos e, nesse momento, fizeram negócios e encontraram, voaram junto com o maior chefe do crime organizado do Brasil, me parece que é algo semelhante ao Papa e seus assessores estarem fazendo algo referente a abuso infantil. É algo que realmente nos dá nojo", declarou Zema em entrevista à CNN Brasil.>
O Estadão solicitou posicionamento da Corte sobre as críticas de Zema e aguarda retorno. O espaço segue aberto.>
A declaração ocorre em meio a críticas a ministros do STF por relações com nomes como o do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por acusações de negócios fraudulentos à frente da instituição financeira, que foi liquidada pelo Banco Central>
A Corte foi parar no centro do escândalo com a revelação de que a mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, manteve um contrato milionário com o Banco Master. Também houve trocas de mensagens entre Vorcaro e o ministro no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro do ano passado.>
Além disso, como mostrou o Estadão, uma empresa da qual o ministro Dias Toffoli é sócio vendeu a participação em um resort a um fundo ligado ao banco. A partir da revelação, Toffoli deixou a relatoria das investigações e, depois disso, se declarou suspeito para participar dos julgamentos sobre o caso.>
Essa não é a primeira vez que Zema comenta o caso, comparando a Corte aos casos de abuso infantil da Igreja Católica. No dia 18 de março, Zema afirmou que o exemplo dado pelos ministros do STF seria como "se tivéssemos um papa pedófilo" influenciando padres>
Na entrevista desta segunda, Zema criticou o pedido do ministro do STF Gilmar Mendes ao colega Alexandre de Moraes para incluí-lo entre os investigados no inquérito das fake news. A solicitação veio depois de Zema ter divulgado vídeo com críticas à Corte, abrangendo Gilmar e o ministro Dias Toffoli, por causa do caso Master.>
A publicação de Zema retratava uma conversa entre dois bonecos, caracterizados por desenhos de fantoches, que representariam Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No vídeo, Toffoli telefona para Gilmar e pede a ele que anule as quebras de sigilo de sua empresa, aprovadas na CPI do Crime Organizado do Senado.>
Com um diálogo marcado por ironias e caricaturas, Gilmar responde que anularia as quebras e pede em troca uma cortesia no resort Tayayá, no qual Toffoli possuía participação acionária.>
"Vejo com uma certa surpresa e também decepção, mas confirma essa crença minha de que temos hoje ministros que querem calar qualquer um que discorde dos mesmos", respondeu Zema.>
O ex-governador também afirmou haver uma "farra dos intocáveis" entre as autoridades. "É preocupante o que está acontecendo em Brasília e que está sendo totalmente colocado como sigiloso, criando todas as dificuldades para investigação. Isso não rima com democracia, isso é antidemocrático", continuou.>
Em pré-campanha eleitoral, Zema voltou a defender mudanças no Judiciário, inclusive no Supremo Tribunal Federal, como a fixação de idade mínima de 60 anos para que ministros assumam uma cadeira na Corte, além do fim das decisões monocráticas.>
"Se eleito presidente, vou lutar por mudanças profundas no Supremo. Quero ministros com 60 anos ou mais, o que automaticamente vai limitar o tempo deles no tribunal a no máximo 15 anos", falou. "Quero acabar com as decisões monocráticas, isso hoje é um tapa na cara do Congresso. Senadores, deputados votam, e a canetada de um ministro desmonta aquilo de uma hora para outra no minuto", disse.>
Fonte: Estadão Conteúdo>