Publicado em 16 de agosto de 2026 às 09:38
A escassez prolongada de água deixou de ser um fenômeno exclusivo de áreas áridas e passou a ser uma realidade global, registrando um aumento de quase 30% em sua incidência e duração desde o ano 2000. Essa aceleração da crise ambiental é o foco principal da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que reúne lideranças mundiais em Ulaanbaatar, na Mongólia. Projeções globais indicam que a demanda por água pode ultrapassar a oferta em 40% até o fim desta década, podendo afetar três em cada quatro pessoas no planeta até 2050.>
No Brasil, o impacto é visível em todas as regiões. Apenas no mês de julho, o monitoramento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) identificou 157 municípios em situação de seca severa, enfrentando estresse hídrico na vegetação e perdas do setor agrícola. A crise atinge de forma mais crítica populações tradicionais em áreas vulneráveis: os territórios indígenas afetados por estiagem extrema saltaram de 3 para 17 em um único mês, com destaque para a calha amazônica e distritos sanitários no Amazonas, Pará, Tocantins e Mato Grosso, enquanto os assentamentos rurais afetados pularam de 2 para 44 áreas.>
A situação pode se agravar nos próximos meses devido ao surgimento de secas relâmpago eventos de curta duração e alta intensidade e à intensificação do fenômeno El Niño. Histórica no país, a elevação de temperatura do Oceano Pacífico costuma reduzir os índices de chuva no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste. Diante do risco de desabastecimento e aumento da insegurança alimentar, o Brasil passou a integrar a Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA), defendendo na COP17 que governos globais migrem do modelo de resposta emergencial para políticas permanentes de gestão de águas e preservação do solo.>