Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 14:14
Pequenos produtores rurais de Dom Eliseu, no sudeste do Pará, estão colhendo os resultados de uma transformação na cadeia produtiva do mel. A doação de uma máquina para envase em sachês à cooperativa da Vila Alto Bonito fortaleceu a chamada “Casa do Mel” e abriu portas para um novo mercado: a merenda escolar da rede municipal.>
A iniciativa integra o Programa Paricá – Territórios em Ação, desenvolvido pela Suzano em parceria com a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e a Aliança Bioversity & CIAT. O programa atua em cinco municípios da região com foco no fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, inclusão social e redução da pobreza na Amazônia.>
Com a nova tecnologia, o mel passou a ser embalado individualmente, atendendo às exigências de segurança alimentar e higiene das escolas. O formato em sachê reduz riscos de contaminação, facilita o controle das porções, diminui desperdícios e otimiza a logística de distribuição. Experiências anteriores em unidades escolares indicaram boa aceitação do produto por estudantes e gestores.>
Antes da aquisição do equipamento, a produção era vendida majoritariamente a granel, em baldes e tambores, com menor valor agregado e dependência de atravessadores e indústrias. Agora, com o processamento feito localmente, a cooperativa ampliou sua autonomia, agregou valor ao produto e passou a acessar novos canais de comercialização, como contratos institucionais e compras públicas.>
A presidente da cooperativa Cooagro, Zélia Sousa, destaca que a mudança impactou diretamente a renda das famílias envolvidas. Atualmente, a cooperativa reúne 24 cooperados diretos e cerca de 50 pessoas participam da cadeia produtiva. A produção anual gira em torno de 18 toneladas de mel, com meta de alcançar 25 toneladas até 2026. Segundo ela, o processamento próprio elevou significativamente o lucro familiar e trouxe mais segurança financeira aos apicultores.>
Além de encurtar a cadeia produtiva — que antes envolvia apicultor, cooperativa, entreposto, indústria e mercado — o novo modelo permite que o mel saia diretamente da cooperativa para o consumidor final ou para contratos institucionais, fortalecendo a economia local.>
De acordo com Paulo Guilherme Rocha, coordenador de Sustentabilidade da Suzano, o Programa Paricá demonstra, na prática, que é possível unir conservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico. Ele ressalta que a iniciativa vai além do apoio pontual, ao estimular que pequenos produtores assumam também o processamento e a comercialização, ampliando renda e protagonismo nos territórios amazônicos.>
O Programa Paricá atua ainda nos municípios de Abel Figueiredo, São João do Araguaia, Bom Jesus do Tocantins e Rondon do Pará, com projetos voltados ao fortalecimento de redes de comercialização, sistemas agroflorestais e economia sustentável inclusiva, consolidando um modelo de desenvolvimento alinhado à conservação da biodiversidade e à geração de oportunidades na região.>