Dor no corpo não é normal: especialista explica quando procurar tratamento

Especialista explica sinais de alerta, causas e como tratar dores sem remédios

Publicado em 30 de março de 2026 às 15:35

Especialista explica sinais de alerta, causas e como tratar dores sem remédios
Especialista explica sinais de alerta, causas e como tratar dores sem remédios Crédito: Arquivo Pessoal 

Em entrevista exclusiva ao Portal Roma News, a fisioterapeuta Andreza Cristiane Vilhena Torres Teixeira, com mais de 18 anos de atuação, alertou que dores frequentes no corpo não devem ser ignoradas e podem indicar problemas que exigem tratamento. Segundo ela, o aumento desses casos está diretamente ligado ao estilo de vida atual, marcado pelo sedentarismo e longos períodos na mesma posição.

Andreza Cristiane Vilhena Torres Teixeira, com mais de 18 anos de atuação, alertou que dores frequentes no corpo não devem ser ignoradas
Andreza Cristiane Vilhena Torres Teixeira, com mais de 18 anos de atuação, alertou que dores frequentes no corpo não devem ser ignoradas Crédito: Arquivo Pessoal 

Quando a dor deixa de ser normal e precisa de tratamento?

A dor nunca deve ser normalizada só porque se tornou frequente. Quando persiste por semanas, limita atividades simples ou começa a afetar o sono, o trabalho e o bem-estar, já precisa de avaliação. Mesmo antes de três meses, quando passa a ser considerada crônica, o corpo já dá sinais de que algo não vai bem.

Quais são as dores mais comuns hoje e o que elas revelam?

As mais frequentes são na cervical, lombar e joelhos. Esse padrão reflete uma rotina com muitas horas sentado, excesso de tempo em frente ao computador e pouca atividade física. O corpo foi feito para se mover e, quando isso não acontece, começa a apresentar sinais de sobrecarga.

É possível tratar dores sem medicamentos?

Sim, e em muitos casos essa é a melhor abordagem. O tratamento atual prioriza exercício terapêutico, educação do paciente e mudança de hábitos. Medicamentos podem aliviar momentaneamente, mas não tratam a causa. O ganho real vem da recuperação do movimento e do equilíbrio do corpo.

Como a fisioterapia ajuda quem trabalha sentado?

A atuação vai além da reabilitação. A fisioterapia identifica sobrecargas, corrige padrões de movimento e orienta ajustes na rotina. Pequenas mudanças, como pausas ao longo do dia e variação de postura, fazem diferença. O problema não é apenas ficar sentado, mas permanecer muito tempo sem se movimentar.

Exercício físico substitui a fisioterapia?

Não necessariamente. O exercício é essencial, mas a fisioterapia orienta e individualiza esse processo. Em muitos casos, os dois caminham juntos para garantir segurança e melhores resultados.

Quais sinais indicam que algo não vai bem?

Desconforto frequente, rigidez, dor repetitiva no mesmo movimento, sensação constante de tensão e queda no rendimento físico são alertas importantes. A dor é um mecanismo de defesa do corpo e não deve ser ignorada.

Quiropraxia é segura?

Sim, quando realizada por profissional qualificado e dentro de um plano de tratamento. Ela pode ajudar no alívio da dor, mas não deve ser usada de forma isolada.

Pilates é só para quem já sente dor?

Não. O método é indicado tanto para tratamento quanto para prevenção. Ele melhora força, mobilidade e consciência corporal, reduzindo o risco de novas lesões.

Quais hábitos ajudam a evitar dores?

Manter uma rotina de exercícios, dormir bem, evitar longos períodos na mesma posição e respeitar os sinais do corpo. Mais importante do que intensidade é a consistência.

Quando procurar um fisioterapeuta?

Desde os primeiros sinais. O fisioterapeuta é um profissional de primeiro contato, preparado para avaliar, orientar e iniciar o tratamento adequado.

Dados recentes reforçam o alerta. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% da população mundial convive atualmente com dor crônica, uma das principais causas de incapacidade e perda de qualidade de vida. No Brasil, estimativas recentes apontam que até quase metade da população pode sofrer com dores persistentes em algum momento, especialmente na coluna e articulações, problemas diretamente associados ao sedentarismo e às condições de trabalho.

O cenário mostra que ignorar a dor pode agravar quadros simples e comprometer a rotina. Por outro lado, a combinação entre acompanhamento profissional, prática regular de exercícios e mudanças de hábitos tem se mostrado eficaz para reduzir sintomas e prevenir complicações. Mais do que tratar o desconforto, cuidar do corpo é uma forma de manter autonomia, produtividade e qualidade de vida ao longo do tempo.

Por Elias Felippe