Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 12:20
O início do ano costuma despertar o desejo de mudança e renovação de hábitos, especialmente aqueles relacionados ao autocuidado. Entre as principais resoluções está o cuidado com a pele, impulsionado pela popularização de rotinas de skincare nas redes sociais e pelo consumo de produtos considerados “virais”. No entanto, especialistas alertam que o uso excessivo de cosméticos e a falta de orientação adequada podem gerar efeitos contrários aos esperados.>
Segundo a médica e docente do IDOMED, Dra. Rayanna Nobre, um dos fenômenos cada vez mais observados nos consultórios é o chamado burnout da pele — condição caracterizada pelo esgotamento da barreira cutânea em decorrência do uso excessivo e inadequado de produtos. “Assim como acontece com o corpo e a mente, a pele também pode entrar em exaustão. O excesso de ativos, especialmente quando combinados sem critério, compromete sua função de proteção e favorece inflamações, sensibilidade extrema e a piora de doenças preexistentes”, explica.>
A especialista ressalta que a associação inadequada de substâncias potencializa esse processo. Ácidos como o glicólico e ativos como o retinol, por exemplo, podem ser altamente irritantes quando utilizados em conjunto ou em concentrações inadequadas. Quantidade, frequência, concentração e ordem de aplicação são fatores determinantes. O uso incorreto pode provocar ardência, descamação persistente, surgimento de manchas e agravamento de lesões cutâneas.>
Outro fator de risco está na reprodução de rotinas padronizadas amplamente divulgadas por influenciadores digitais. Esse tipo de conteúdo, em geral, desconsidera as particularidades de cada pele e incentiva o uso genérico de produtos, sem avaliação prévia. A popularização de itens “virais” leva muitas pessoas a seguirem indicações sem critérios técnicos, mesmo sabendo que cada pele possui características, necessidades e respostas diferentes.>
A médica também chama atenção para o uso de receitas caseiras ou produtos naturais sem orientação profissional. Extratos naturais podem conter substâncias tóxicas ou irritantes, dependendo da concentração e da forma de absorção. Como a pele possui alta capacidade de absorção, esses compostos podem desencadear efeitos rebote, lesões e até o surgimento de doenças dermatológicas inesperadas.>
Entre os principais sinais de alerta estão vermelhidão persistente, ardência, descamação sem melhora, aumento da sensibilidade, aparecimento de manchas e agravamento de lesões pré-existentes — manifestações frequentemente associadas ao burnout da pele. Diante de qualquer alteração perceptível, a recomendação é interromper o uso dos produtos e buscar a avaliação de um profissional habilitado.>
Para quem não tem acesso imediato a um especialista, o autoconhecimento surge como um ponto de partida essencial. Identificar se a pele é seca, oleosa, mista ou sensível ajuda a evitar escolhas inadequadas, já que o uso de produtos incompatíveis pode intensificar processos de irritação e contribuir para o desgaste da barreira cutânea.>
De acordo com a docente, uma rotina eficaz não precisa ser complexa. “O básico funciona muito bem. Manter a pele limpa, protegida do sol e hidratada já estimula uma pele saudável. Quando as rotinas se tornam longas, cheias de ativos e sem acompanhamento, o risco de burnout da pele aumenta”, ressalta.>
Em síntese, o cuidado deve estar voltado à atenção aos rótulos, à procedência dos produtos e ao respaldo científico das fórmulas. “A automedicação dermatológica é comum devido ao fácil acesso aos cosméticos, mas é fundamental observar a composição, a segurança dos ativos e a confiabilidade das marcas. Cuidar da pele não é sobre excesso, e sim sobre constância, critério e segurança”, conclui.>