Advogada é presa após criticar delegado nas redes sociais

Caso ocorreu dentro do escritório da profissional e gerou reação da OAB, que aponta possível abuso de autoridade.

Publicado em 17 de abril de 2026 às 20:53

O delegado interpretou as postagens como difamação, desobediência e desacato durante a abordagem, determinando a prisão no local, com uso de algemas – o momento foi filmado e viralizou.
O delegado interpretou as postagens como difamação, desobediência e desacato durante a abordagem, determinando a prisão no local, com uso de algemas – o momento foi filmado e viralizou. Crédito: Redes Sociais/Instagram

A advogada Áricka Rosalia Alves Cunha foi presa na tarde de quarta-feira (15) dentro do próprio escritório, em Cocalzinho de Goiás, após publicar críticas nas redes sociais contra o arquivamento de um boletim de ocorrência registrado por ela.

De acordo com relatos, a profissional havia registrado uma ocorrência por difamação após ser ofendida em comentários nas redes. O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos arquivou o caso, alegando falta de efetivo policial e fato atípico. Insatisfeita, Áricka publicou trechos do despacho policial e questionou a decisão, o que o delegado interpretou como difamação contra ele.

O delegado foi pessoalmente ao escritório da advogada e efetuou a prisão em flagrante. Um vídeo que circula nas redes mostra o momento da abordagem, com uso de algemas. Áricka foi levada à delegacia e permaneceu detida por cerca de seis horas. Ela foi liberada após o pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/GO), por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas, instaurou procedimento para apurar possível violação das prerrogativas da advocacia. A Polícia Civil de Goiás também abriu apuração interna para investigar a conduta do delegado.

Em nota, a advogada afirmou que não se calará diante do ocorrido. O delegado, por sua vez, justificou a prisão alegando que a publicação configurou crimes contra a honra (difamação) e que, durante a abordagem, houve desacato, injúria e desobediência.

O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão, o exercício da advocacia e a atuação de autoridades policiais.

Com informações do portal UOL