Advogado de gerente de banco presa em São Paulo afirma que cliente é viciada em Tigrinho

Defesa afirma que ela também sofre de burnout e depressão com atestados médicos.

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 16:22

Casal foi preso após lesar pessoas idosas, fazendo transações indevidas em suas contas -
Casal foi preso após lesar pessoas idosas, fazendo transações indevidas em suas contas - Crédito: Reprodução/Redes Sociais.

O advogado de defesa da ex-gerente do banco Santander em Miguelópolis, interior de São Paulo, Vanessa Gonçalves Miranda, presa na última segunda-feira (28) suspeita por desviar cerca de R$ 2 milhões de contas de clientes, afirmou nesta quinta-feira (01), que a cliente tem vício no jogo “Fortune Tiger”, popularmente conhecido como “Jogo do Tigrinho”, além da mesma ter laudos de depressão e síndrome de burnout, devido aos 12 anos que trabalhou na empresa.

Em entrevista a um portal de notícias, o advogado de Vanessa, Laudemiro Neto, classificou o vício da bancária como ludopatia, a dependência em jogos. Ele não informou desde quando ela tem as doenças nem se faz tratamento, assim como também informou que ainda não teve acesso ao processo para se pronunciar sobre as denúncias. Na conversa, ele citou o tempo de trabalho de Vanessa no banco:

Ela tem 12 anos de banco, e somente depois de 10 anos que ocorreu esse problema? Durante 10 anos ela dedicou sua vida ao banco, ficou doente e veio passar por esses problemas.

Laudemiro Neto -

Advogado de defesa de Vanessa

Vanessa, de 40 anos, e o companheiro dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, foram presos preventivamente por furto mediante abuso de confiança contra idosos e pessoas vulneráveis. Segundo a Polícia Civil, há indícios de lavagem de dinheiro, com valores distribuídos em outras contas e em casas de jogos e apostas.

Já a defesa de Adilson, afirmou que ele desconhece as acusações e não tem envolvimento com qualquer ilegalidade relacionada à investigação. O dentista passou por audiência de custódia na última terça-feira (29) e foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Franca, interior de São Paulo.

Em nota divulgada à imprensa, o Santander afirmou que sua área de inteligência coopera com a Polícia Civil desde o início da investigação para apurar os fatos e responsabilizar os autores. O banco disse ainda que "nenhum cliente terá prejuízo financeiro" e que tem sistemas de prevenção a fraudes para identificar e coibir desvios de conduta.

Vítima descobriu que foi roubada após cirurgia

Uma das vítimas do casal foi uma aposentada de 78 anos, que segundo a família, teve cerca de R$ 300 mil retirados de uma conta do Santander em Miguelópolis e só descobriu o saldo zerado após ela passar por um transplante de córnea. Ainda segundo a família, ela é uma das clientes lesadas nos desvios investigados. De acordo com a sobrinha, a idosa ainda tem descontadas da aposentadoria as parcelas de um empréstimo que não reconhece e fica com cerca de R$ 1 mil por mês para se manter.

Vanessa usava confiança de clientes para lesá-los

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, a operação cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão após algumas vítimas registrarem vários boletins de ocorrência por não reconhecerem movimentações nas próprias contas. A PC-SP afirma que a funcionária, com mais de 12 anos de agência, usava a confiança dos correntistas para movimentar e sacar valores indevidamente, e que o companheiro dela tinha livre trânsito na agência e teria retirado valores entregues por ela.

A movimentação indevida chega a R$ 2 milhões, entre os anos de 2024 e 2026. O cálculo considera os prejuízos relatados pelas vítimas, que não tinham sido ressarcidas até terça-feira (29). De acordo com a investigação, o dinheiro era distribuído em outras contas e em casas de jogos e apostas. Segundo a polícia, os valores possivelmente eram ocultados ali para depois voltar à economia formal com aparência de rendimentos legais.

De acordo com uma emissora local, a decisão da Justiça que determinou as prisões, descreve saques indevidos, empréstimos fraudulentos, transferências não autorizadas e resgates de aplicações sem o conhecimento dos titulares. Ainda segundo o documento, as subtrações ultrapassam R$ 2,1 milhões, e mesmo com a demissão de Vanessa pelo banco, a movimentação dos valores ocultados não foi interrompida. Sobre Adilson, o documento aponta indícios de que ele recebia e ocultava o dinheiro em contas próprias e da empresa dele, sendo visto várias vezes saindo da agência com sacolas de dinheiro.