Publicado em 3 de junho de 2026 às 14:54
No dia 26 de maio de 2026, a Justiça determinou o arquivamento do inquérito contra o aposentado João Batista Fernandes, de 68 anos, após a defesa comprovar que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) havia sido usada indevidamente por integrantes de uma quadrilha investigada por furtos de caminhões no Rio Grande do Sul. O técnico de enfermagem aposentado chegou a passar 66 dias preso e afirma carregar até hoje os impactos emocionais do episódio.>
Morador de Portão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, João foi preso na madrugada de 11 de setembro de 2025 durante a Operação Truck Hunters, que teve como alvo uma organização criminosa especializada em furtos de caminhões.>
Segundo ele, a chegada dos policiais foi inesperada. Mesmo com os familiares afirmando que ele era inocente, o aposentado foi levado pelos agentes após o cumprimento de um mandado de prisão preventiva.>
"Eu não entendi nada. Achei que era um pesadelo", relatou.>
A investigação conduzida pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCOR) apontava que uma foto da CNH de João havia sido encontrada no celular de um dos suspeitos investigados.>
De acordo com a defesa, criminosos utilizaram a imagem do documento para tentar alugar um depósito em setembro de 2023. O advogado Adriano Oliveira da Luz afirma que a CNH encontrada já estava vencida e havia sido entregue por João em um Centro de Formação de Condutores (CFC) durante o processo de renovação do documento meses antes.>
Inicialmente, João foi levado para o Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), em Porto Alegre. Depois, foi transferido para a Cadeia Pública da capital gaúcha.>
Após mais de dois meses preso, ele recebeu liberdade provisória em 17 de novembro de 2025. A prisão preventiva foi convertida em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Dias depois, o Ministério Público pediu sua liberdade por falta de elementos que comprovassem envolvimento nos crimes.>
Em 28 de novembro de 2025, o aposentado retirou a tornozeleira. Mesmo assim, continuou vivendo com a insegurança provocada pelo processo judicial ainda em andamento.>
Segundo João, o período na prisão deixou marcas profundas.>
"O psicológico da gente fica muito abalado. Ainda estou fazendo tratamento e estou um pouco melhor, mas são coisas que não se apagam tão fácil. Passei muita humilhação na cadeia", afirmou.>
O Ministério Público do Rio Grande do Sul informou que duas investigações sobre o mesmo grupo criminoso foram unificadas por serem complementares. Durante o andamento do inquérito, a defesa apresentou provas que indicavam erro de identificação e o uso indevido da CNH por terceiros.>
A tese foi aceita após análise conjunta entre o Ministério Público e a autoridade policial. Com isso, João não foi denunciado, enquanto o processo continuou em relação aos demais investigados.>
Em 16 de dezembro de 2025, 51 pessoas investigadas na Operação Truck Hunters foram denunciadas por organização criminosa. João Batista Fernandes não estava entre elas.>
Com o arquivamento do caso, o aposentado afirmou ter encerrado um dos períodos mais difíceis de sua vida.>
"Hoje, encerro um dos capítulos mais difíceis da minha vida. Após inúmeras investigações, diligências e muito sofrimento, meu processo foi arquivado", escreveu nas redes sociais.>
A defesa informou que pretende ingressar com uma ação contra o Estado em busca de indenização pelos prejuízos causados pela prisão considerada indevida.>
Segundo o advogado Adriano Oliveira da Luz, a decisão da Justiça confirma a ausência de provas contra seu cliente, mas não apaga os danos provocados pelos mais de dois meses em que ele permaneceu preso injustamente.>