Bolsonaro diz que delegado da PF autorizou permanência de pistola em sua residência

Em depoimento, ex-presidente relatou que pediu para manter arma para proteção da família após operação policial.

Publicado em 1 de julho de 2026 às 15:29

Ex-presidente Jair Bolsonaro voltou para a prisão domiciliar.
Ex-presidente Jair Bolsonaro voltou para a prisão domiciliar. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O ex-presidente Jair Bolsonaro relatou, em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que um delegado da Polícia Federal (PF) permitiu que ele mantivesse uma pistola em sua casa. Segundo Bolsonaro, o episódio ocorreu durante uma operação da PF realizada em julho do ano passado, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, ocasião em que todas as outras armas que ele possuía foram apreendidas.

De acordo com o depoimento, Bolsonaro solicitou ao delegado responsável pela diligência que deixasse ao menos uma arma na residência para a proteção do imóvel, onde vive com três mulheres, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O ex-presidente afirmou que o delegado se afastou para realizar uma ligação telefônica e, ao retornar, informou que ele poderia permanecer com a pistola.

Essa mesma arma foi a que acabou apreendida posteriormente pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) durante uma blitz em Taguatinga, quando estava em posse de um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Bolsonaro explicou aos investigadores que a pistola apresentou uma "pane" e, por isso, chamou o militar para verificar o problema, mas alegou que o agente retirou o objeto da casa sem sua autorização.

A PCDF encaminhou um relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF) concluindo que Jair Bolsonaro não cometeu crime no caso. Os investigadores verificaram que a pistola possuía registro válido confirmado pelo Exército e que não existiam restrições que impedissem o ex-presidente de mantê-la em seu domicílio.

Por outro lado, o agente do GSI, Estácio Leite da Silva Filho, foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Para a polícia, embora o militar tivesse porte funcional, ele transportava uma arma registrada em nome de terceiros, o que está em desacordo com o Estatuto do Desarmamento.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.