Publicado em 26 de maio de 2026 às 16:11
O Brasil alcançou pela primeira vez o nível de “muito alto desenvolvimento humano” no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Apesar do avanço histórico, o estudo mostra que desigualdades profundas entre regiões, gênero e raça ainda marcam o país.>
O levantamento, que tem como base dados de 2024, indica que o IDH brasileiro passou de 0,744 em 2012 para 0,805, o maior já registrado na série histórica. O índice varia de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1, melhor o nível de desenvolvimento humano.>
O relatório destaca que o país evoluiu de forma consistente ao longo dos últimos anos, com exceção dos impactos da pandemia de covid-19 em 2020 e 2021. Ainda assim, o avanço geral não foi suficiente para reduzir as desigualdades estruturais.>
Entre os três pilares do IDH, a saúde segue como o indicador mais forte. O Brasil já apresentava nível muito alto em longevidade desde 2012 e avançou de 0,829 para 0,860 em 2024, patamar comparável ao de países desenvolvidos. Segundo o PNUD, o Sistema Único de Saúde tem papel importante nesse resultado.>
O maior salto, no entanto, veio da educação. O indicador subiu de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, deixando de ser o pior desempenho do país para se tornar o segundo melhor. O estudo relaciona parte desse avanço a políticas públicas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que ajudaram a ampliar o acesso e a permanência de estudantes na escola.>
Já a renda segue como o ponto mais frágil do índice brasileiro. Com crescimento mais lento ao longo dos anos, passou de 0,732 para 0,760 desde 2012 e continua sendo o principal fator que limita um avanço maior do IDH nacional.>
Apesar dos indicadores positivos, o relatório reforça que o desenvolvimento não é uniforme no país. As diferenças aparecem entre regiões, gênero e raça. Homens apresentam IDH de 0,802, enquanto mulheres registram 0,798. Entre pessoas brancas, o índice chega a 0,851, considerado muito alto, enquanto entre pessoas negras é de 0,774, ainda em nível alto.>
O contraste regional também chama atenção. O Distrito Federal lidera o ranking com IDH de 0,866, enquanto o Maranhão aparece na outra ponta, com 0,745. Essa diferença se reflete em condições concretas de vida, como a expectativa de vida, que pode variar em até cinco anos dependendo da região.>
A desigualdade de renda também é expressiva. Segundo o relatório, um cidadão branco no Distrito Federal tem renda média cerca de quatro vezes maior do que um cidadão negro no Maranhão, o que evidencia a disparidade econômica entre os grupos.>
Para o PNUD, essas diferenças permanecem praticamente inalteradas há mais de uma década. Ainda assim, o órgão destaca que houve avanço mais acelerado entre a população negra no período recente, indicando que políticas públicas podem reduzir desigualdades quando aplicadas de forma consistente.>
O relatório conclui que o Brasil evoluiu em seus indicadores gerais, mas ainda enfrenta o desafio de transformar crescimento em desenvolvimento mais equilibrado entre todos os grupos sociais.>