Brasileiros gastam mais de R$ 30 bilhões por mês com apostas online, aponta estudo

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio mostra que os gastos mensais com as chamadas “bets” saltaram de praticamente zero, em 2023, para mais de R$ 30 bilhões em 2026

Publicado em 28 de abril de 2026 às 14:45

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio mostra que os gastos mensais com as chamadas “bets” saltaram de praticamente zero, em 2023, para mais de R$ 30 bilhões em 2026
Um estudo da Confederação Nacional do Comércio mostra que os gastos mensais com as chamadas “bets” saltaram de praticamente zero, em 2023, para mais de R$ 30 bilhões em 2026 Crédito: Agência Brasil

O avanço das apostas esportivas online no Brasil já movimenta cifras bilionárias e acende um alerta sobre o impacto direto no bolso das famílias. Um estudo da Confederação Nacional do Comércio mostra que os gastos mensais com as chamadas “bets” saltaram de praticamente zero, em 2023, para mais de R$ 30 bilhões em 2026.

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (28), em Brasília, e têm como base a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, que analisou o período entre maio de 2021 e março de 2026.

Segundo o levantamento, o crescimento acelerado das apostas não elevou de forma expressiva o número total de famílias endividadas, mas piorou a qualidade dessas dívidas. Na prática, mais brasileiros passaram a enfrentar dificuldades graves para pagar contas já existentes.

O principal impacto foi observado na chamada inadimplência severa, quando a família declara não ter condições de quitar suas dívidas. Além disso, o tempo médio de atraso nos pagamentos aumentou, indicando um cenário de endividamento mais prolongado e crítico.

Quem são os mais afetados

O estudo aponta que homens, pessoas com mais de 35 anos e famílias de baixa renda concentram os maiores níveis de inadimplência ligados às apostas. Outro dado que chama atenção é o avanço do problema entre pessoas com maior escolaridade, possivelmente devido ao maior acesso a crédito e plataformas digitais.

Entre as classes mais altas, houve redução no endividamento total, mas aumento nos atrasos, o que pode indicar mudança no uso da renda — com maior direcionamento para apostas.

Cenário econômico não freou impacto

Mesmo com indicadores considerados positivos, como queda no desemprego, inflação mais controlada e maior oferta de crédito, os efeitos negativos das bets continuaram avançando. Para os pesquisadores, isso reforça a relação direta entre o crescimento das apostas online e o agravamento da saúde financeira das famílias.

Recomendações

Diante do cenário, o estudo sugere medidas como maior regulação da publicidade das plataformas de apostas, reforço na proteção ao consumidor e ampliação de programas de educação financeira.

A conclusão é clara: o crescimento das bets deixou de ser apenas uma tendência de mercado e já se configura como um problema econômico e social relevante no país.

Com informações do Metrópoles