Golpistas usam IA para simular mulheres com deficiência e aplicar golpes com conteúdo falso

Perfis emocionais atraem vítimas e direcionam para links pagos com promessas enganosas

Publicado em 28 de abril de 2026 às 15:40

Perfis emocionais atraem vítimas e direcionam para links pagos com promessas enganosas
Perfis emocionais atraem vítimas e direcionam para links pagos com promessas enganosas Crédito: Reprodução

Perfis falsos criados com o uso de inteligência artificial estão sendo utilizados em um novo tipo de golpe nas redes sociais, no qual criminosos simulam mulheres com deficiência para gerar comoção e direcionar usuários a links pagos com suposto conteúdo adulto.

Os vídeos seguem um padrão. As personagens aparecem chorando ou relatando sentimentos de solidão, com frases que buscam engajamento emocional. Após atrair atenção, os perfis passam a divulgar links que prometem acesso a grupos privados. Em alguns casos, o conteúdo até existe, mas há diversos relatos de fraude, quando o usuário paga e não recebe o que foi anunciado.

As identidades criadas variam e incluem representações de mulheres amputadas, cadeirantes, com vitiligo ou nanismo. O nível de realismo chama atenção, já que todo o material é produzido digitalmente para parecer verdadeiro e aumentar o alcance nas plataformas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 8,3 milhões de mulheres com deficiência, grupo que possui direitos garantidos por lei, incluindo autonomia e proteção contra discriminação. Especialistas alertam que o uso dessas imagens falsas levanta preocupações sobre exploração indevida e uso abusivo da tecnologia.

A identificação dos responsáveis ainda é um dos principais desafios. Os perfis costumam ter poucas informações, são removidos com rapidez pelas plataformas e reaparecem com novos nomes e estratégias semelhantes, dificultando o rastreamento.

Entre as tecnologias usadas estão o deepfake, que permite simular rostos e expressões com alto nível de realismo, e o deepnude, voltado à criação de imagens íntimas falsas sem consentimento.

Para quem cair no golpe, a orientação é agir rapidamente. Especialistas recomendam tentar o estorno junto ao banco, registrar reclamação em órgãos de defesa do consumidor e reunir provas, como conversas, links e comprovantes de pagamento.