Publicado em 29 de maio de 2026 às 14:17
Nesta sexta-feira (29), o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que qualquer tentativa de usar o combate ao crime organizado como justificativa para intervenção estrangeira no Brasil é “inaceitável”. A declaração ocorreu após os Estados Unidos classificarem as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.>
Durante participação no Fórum Internacional de Segurança, em Moscou, na Rússia, o embaixador defendeu a cooperação entre países no enfrentamento ao crime organizado, principalmente em ações contra lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Apesar disso, ressaltou que esse tipo de parceria não pode ultrapassar os limites da soberania nacional.>
Segundo Amorim, equiparar narcotráfico ao terrorismo não ajuda no combate às organizações criminosas. Para o assessor do governo federal, entender as motivações e o funcionamento desses grupos é essencial para tornar as ações de segurança mais eficazes.>
O governo brasileiro tem rejeitado a classificação defendida pelos Estados Unidos por considerar que esse tipo de medida pode abrir espaço para pressões políticas, econômicas e até intervenções externas. Especialistas em segurança pública e relações internacionais também vêm alertando para possíveis impactos diplomáticos da decisão americana.>
Durante o discurso, Amorim relembrou episódios envolvendo os Estados Unidos na América Latina, citando ações contra Cuba e Venezuela realizadas sob justificativas ligadas ao combate ao terrorismo e ao narcotráfico.>
O assessor também mencionou críticas feitas à classificação de Cuba como país apoiador do terrorismo, apontando que parte da comunidade internacional questiona a falta de provas concretas para sustentar a acusação. Segundo ele, esse tipo de enquadramento acaba sendo usado para justificar bloqueios econômicos e medidas de pressão internacional.>