Publicado em 19 de junho de 2026 às 15:20
O governo da China, por meio do Banco Central do país, indicou interesse em ampliar a cooperação com o Brasil no setor de pagamentos digitais, incluindo possíveis conexões com o Pix. O tema aparece em um momento de tensão internacional, já que os Estados Unidos passaram a classificar o sistema brasileiro como uma prática considerada “desleal” no comércio global.>
O comunicado chinês menciona discussões sobre integração de sistemas de pagamento e uso de moedas locais em transações entre países, com destaque para o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML), já utilizado no Mercosul. A ideia seria avaliar modelos que facilitem transferências internacionais sem depender de moedas intermediárias como o dólar.>
Nos Estados Unidos, uma investigação comercial chegou a apontar o Pix como um mecanismo que poderia prejudicar empresas norte-americanas do setor financeiro. O relatório sugere que o modelo brasileiro, por ser regulado pelo Banco Central, colocaria provedores privados em desvantagem, o que motivou recomendações de tarifas sobre exportações brasileiras.>
No pano de fundo dessa disputa também está a preocupação com o avanço de sistemas de pagamento instantâneo entre países, o que poderia reduzir a dependência global do dólar em transações internacionais.>
Do lado chinês, o comunicado divulgado após reunião em Xangai detalha encontros entre autoridades do Brasil e da China, incluindo a participação do presidente do Banco Central brasileiro, Gabriel Galípolo. O encontro tratou de cooperação financeira, investimentos bilaterais e meios de pagamento.>
Segundo o texto, os dois países discutiram o potencial do SML e possíveis formas de cooperação em sistemas de pagamento, com foco em tornar transações comerciais mais rápidas, seguras e menos custosas.>
O SML é um sistema que permite que exportadores e importadores realizem pagamentos diretamente em suas moedas locais, sem a necessidade de conversão imediata para o dólar. O Banco Central brasileiro atua apenas como intermediário na operação.>
Hoje, o mecanismo já funciona em parceria com países do Mercosul como Argentina, Paraguai e Uruguai. A taxa de conversão é definida diariamente com base em referências cambiais dos países envolvidos.>
Embora a China demonstre interesse em avançar na integração, ainda não há definição sobre um modelo concreto de funcionamento com o Brasil. A ideia em discussão seria criar um sistema semelhante ao SML para facilitar o comércio bilateral.>
Além disso, autoridades chinesas já manifestaram interesse em conectar seus sistemas de pagamento instantâneo ao Pix. Esse tipo de integração também é debatido com outros países, dentro de um movimento global para reduzir custos em transações internacionais.>
No Brasil, o Banco Central reconhece a relevância dessas conversas, mas considera o tema ainda inicial e não prioritário no momento. A instituição está concentrada em pautas internas, como segurança do sistema financeiro e limitações de orçamento e pessoal.>
Especialistas apontam que uma eventual integração entre sistemas exige não apenas tecnologia, mas também acordos de governança, definição de regras de conversão de moedas e alinhamento entre diferentes estruturas regulatórias.>