Planalto avalia explicações de Jaques Wagner como 'sofríveis' e Lula deve falar com senador

Líder do governo no Senado é pressionado a deixar o cargo após operação da PF e investigação sobre relação com ex-banqueiro.

Publicado em 19 de junho de 2026 às 15:52

Líder do governo no Senado é pressionado a deixar o cargo após operação da PF e investigação sobre relação com ex-banqueiro.
Líder do governo no Senado é pressionado a deixar o cargo após operação da PF e investigação sobre relação com ex-banqueiro. Crédito: Reprodução/ Jornal Nacional 

Nesta sexta-feira (19), o Palácio do Planalto avaliou como “sofríveis” as explicações apresentadas pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner, em meio às investigações que envolvem sua relação com o ex-banqueiro Augusto Lima. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve conversar com o senador na próxima semana para tratar do futuro dele no cargo.

Lula viajou para Minas Gerais nesta sexta-feira, mas, segundo interlocutores do governo, a situação de Wagner já é discutida internamente no Planalto. A avaliação é de que o senador deveria tomar a iniciativa de deixar a liderança do governo no Senado para se dedicar à própria defesa.

Nos bastidores, aliados do governo afirmam que há uma diferença entre o tempo político e o tempo jurídico, e que a permanência de Wagner no cargo pode ampliar desgastes para o governo federal enquanto o caso é analisado pela Justiça.

A investigação da Polícia Federal apura possíveis relações entre o senador e o ex-banqueiro Augusto Lima em projetos ligados ao setor financeiro. Entre os pontos investigados estão propostas legislativas e emendas que teriam impacto no mercado de crédito consignado.

Segundo as apurações, há suspeitas de que o parlamentar possa ter atuado em favor de interesses de um grupo financeiro, incluindo iniciativas conhecidas como “Emenda Master” e mudanças regulatórias no setor.

Os investigadores também apuram possíveis benefícios indevidos, como repasses financeiros que podem chegar a R$ 3,5 milhões, além da compra de um imóvel de luxo em Salvador, avaliado em mais de R$ 2,4 milhões, e o uso de vantagens como voos particulares e ingressos para eventos internacionais.

Em sua defesa, Wagner afirmou que teria solicitado apoio de Augusto Lima para viabilizar a compra de um apartamento para a filha enquanto o imóvel ainda estava em construção, com a intenção de recompra posterior.

A expectativa dentro do governo, segundo apuração do jornalista Gerson Camarotti, é de que o senador deixe o cargo de líder do governo no Senado nos próximos dias, após a pressão interna aumentar no Palácio do Planalto e no Partido dos Trabalhadores.