Combustível do crime: PF mira esquema bilionário de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro

Rede de postos de gasolina movimentou R$ 7,6 bilhões e envolve nomes conhecidos da política e da segurança pública fluminense.

Publicado em 7 de julho de 2026 às 07:44

Combustível do crime: PF mira esquema bilionário de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro
Combustível do crime: PF mira esquema bilionário de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro Crédito: Reprodução/PFRJ

Uma megaoperação da Polícia Federal sacudiu o Rio de Janeiro na manhã desta terça-feira (7). Batizada de Missão Redentor II, a ação mirou um esquema gigantesco de lavagem de dinheiro que utilizava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana para esquentar recursos ilícitos.

O volume de dinheiro impressiona: segundo o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o grupo criminoso conseguiu movimentar mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Entre os principais alvos desta fase estão o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o delegado Marcus Amim.

Esta nova ofensiva representa a 6ª etapa da Operação Unha e Carne, uma investigação que já levou para trás das grades figuras conhecidas do cenário público e empresarial fluminense, como os políticos Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel, além do empresário TH Joias e do pastor Márcio Poncio. Desta vez, o foco está na participação de agentes públicos que ajudavam a blindar e a operar a engrenagem financeira clandestina por meio do comércio de combustíveis.

Desde as primeiras horas do dia, equipes de policiais federais estão nas ruas para cumprir 19 mandados de busca e apreensão. As viaturas se espalharam por cidades estratégicas do estado, como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e também pela capital. Além de vasculhar endereços atrás de provas, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores do grupo, bem como a suspensão imediata das atividades econômicas de todas as empresas envolvidas na fraude.

Os suspeitos estão na mira por crimes graves que vão de organização criminosa e lavagem de dinheiro a contratação direta ilegal. A Polícia Federal já sinalizou que novos delitos podem vir à tona com a análise dos materiais e documentos apreendidos nesta terça.

A força-tarefa da PF segue as diretrizes fixadas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635 (a ADPF das Favelas), que busca estruturar ações policiais estratégicas e cirúrgicas para sufocar o poder financeiro das organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro.