Delegada aponta 'violência vicária' em caso de secretário que matou filhos em Itumbiara

Após crime que chocou Goiás, policial de São Paulo afirma que assassinato de crianças não pode ser tratado como tragédia passional e explica conceito de violência vicária.

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 08:31

Delegada aponta 'violência vicária' em caso de secretário que matou filhos em Itumbiara
Delegada aponta 'violência vicária' em caso de secretário que matou filhos em Itumbiara Crédito: Reprodução/Redes sociais

A morte de duas crianças em Itumbiara (GO) provocou forte comoção e reacendeu o debate sobre crimes cometidos no contexto de conflitos familiares. O autor dos disparos foi identificado como Thales Machado, de 40 anos, então secretário municipal, que atirou contra os próprios filhos, de 12 e 8 anos, antes de tirar a própria vida. O caso ocorreu na quarta-feira (11).

A repercussão levou a delegada da Polícia Civil de São Paulo, Raquel Gallinati, a se manifestar publicamente. Em vídeo divulgado nas redes sociais, onde soma mais de 300 mil seguidores, ela afirmou que o episódio não deve ser interpretado como “tragédia passional” nem reduzido a um crime motivado por emoção.

Segundo a delegada, situações como essa se enquadram no que a literatura jurídica e psicológica define como violência vicária. O termo se refere a uma forma de agressão em que o autor do crime atinge pessoas próximas da vítima principal, especialmente os filhos, com a intenção de causar sofrimento psicológico extremo e permanente ao outro genitor. Nesses casos, as crianças são utilizadas como meio para ferir emocionalmente alguém, geralmente a mãe.

Gallinati ressaltou que filhos não são extensão de disputas conjugais, tampouco instrumento de vingança. Para ela, justificar crimes desse tipo com argumentos como traição, separação ou dor emocional contribui para minimizar a gravidade da violência. “Não é desespero ou amor distorcido. É violência”, pontuou ao abordar o tema.

A delegada também alertou que episódios fatais surgem raramente sem sinais prévios. Comportamentos de controle excessivo, ciúme patológico, ameaças e atitudes possessivas costumam anteceder situações extremas. Quando esses indícios são ignorados ou relativizados socialmente, segundo ela, cria-se um ambiente propício para a escalada da agressão.