Publicado em 5 de junho de 2026 às 16:32
Nesta sexta-feira (5), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou como um “equívoco” a decisão dos Estados Unidos de incluir as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. Apesar da crítica, ele afirmou que a medida não altera a estratégia brasileira de combate ao crime organizado e defendeu o fortalecimento da cooperação entre os dois países para prender foragidos e impedir a entrada ilegal de armas no Brasil.>
Em entrevista à TV Globo, Rodrigues explicou que, na avaliação da Polícia Federal, grupos terroristas e organizações criminosas possuem características e objetivos distintos. Segundo ele, enquanto organizações terroristas costumam atuar por razões ideológicas ou religiosas, as facções criminosas têm como principal motivação o lucro obtido por atividades ilegais.>
Para o diretor da PF, essa diferença exige estratégias específicas de enfrentamento. Ele ressaltou que a classificação adotada pelos Estados Unidos não muda a atuação das autoridades brasileiras nem as políticas públicas voltadas ao combate das facções.>
Rodrigues também afirmou que a Polícia Federal não foi comunicada oficialmente sobre a decisão norte-americana e tomou conhecimento da medida por meio da imprensa. Segundo ele, ainda não é possível avaliar se a nova classificação terá impactos práticos na cooperação entre os dois países.>
Apesar da divergência sobre o enquadramento das facções, o diretor avaliou que a situação pode abrir espaço para ampliar a troca de informações entre Brasil e Estados Unidos. Entre as ações que poderiam ser fortalecidas, ele citou a prisão de foragidos da Justiça brasileira que estejam em território norte-americano e o combate ao envio ilegal de armas para o país.>
Cooperação em segurança>
Andrei Rodrigues destacou que o Brasil mantém acordos de cooperação internacional voltados ao combate ao crime organizado e que a parceria entre forças de segurança tem sido importante para localizar criminosos que deixaram o país.>
O tema ganhou repercussão nos últimos meses após episódios envolvendo a atuação conjunta de autoridades brasileiras e norte-americanas em casos relacionados a brasileiros procurados pela Justiça. Segundo o diretor da PF, a cooperação internacional continua sendo uma ferramenta importante para enfrentar organizações criminosas e combater atividades ilegais que ultrapassam fronteiras.>
Tráfico de armas preocupa autoridades>
Ao defender uma atuação conjunta mais ampla, Rodrigues também chamou atenção para o tráfico internacional de armas. Segundo estudos citados no Atlas da Violência 2026, houve aumento na circulação e apreensão de pistolas semiautomáticas e armamentos de perfil militar no Brasil nos últimos anos.>
Pesquisadores apontam que parte dessas armas e componentes chega ao país por meio de rotas internacionais, incluindo peças vindas dos Estados Unidos. Para especialistas, o cenário indica que organizações criminosas têm ampliado o acesso a armamentos mais sofisticados.>
Possíveis reflexos econômicos>
Além dos impactos na área de segurança, especialistas avaliam que a decisão norte-americana pode gerar efeitos econômicos. Entre as preocupações estão possíveis exigências adicionais de controle e fiscalização para empresas que mantêm relações comerciais ou financeiras com os Estados Unidos.>
Em nota divulgada anteriormente, o governo brasileiro afirmou que o combate ao crime organizado continua sendo prioridade, mas ressaltou que a cooperação internacional deve respeitar a soberania nacional e os mecanismos legais já existentes entre os países.>