Publicado em 5 de junho de 2026 às 17:51
Bruna Nunes, apontada como integrante do núcleo principal de uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, entregou-se à Polícia Federal (PF) em Uberlândia na última quinta-feira (4). Filha de Mário Sérgio Nunes, o “Serjão do PCC”, Bruna era considerada foragida desde a deflagração da Operação "Mens Occulta", que investiga uma estrutura criminosa composta por pai, mãe, filhas e ex-genro. Ao se apresentar espontaneamente, ela manifestou o desejo de permanecer detida junto à sua irmã, Brenda Nunes, que já se encontra custodiada.>
Segundo as investigações da PF, a família Nunes operava com uma estrutura sofisticada, assemelhada à de uma empresa, utilizando transportadoras, empresas de fachada e motoristas recrutados para movimentar cocaína do Paraguai até Minas Gerais. O grupo é suspeito de ter movimentado cerca de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos. Dentro dessa hierarquia familiar, Bruna atuava como intermediária na comunicação e utilizava contas bancárias para movimentações financeiras suspeitas, mantendo um padrão de vida de alto luxo incompatível com sua renda mensal declarada de R$ 3.750.>
A operação revelou que o lucro do tráfico financiava bens extravagantes para a família, incluindo veículos importados, propriedades rurais, embarcações e um motorhome avaliado em R$ 1,2 milhão. Durante o período investigado, a polícia apreendeu mais de 2 toneladas de cocaína vinculadas ao grupo, embora a corporação afirme que esse volume representa apenas uma pequena parte do total movimentado. Além das irmãs e do pai (presos em um hotel de Uberaba), a mãe, Maria Lourdetis, e o ex-genro, Rhanniery Graciano, também são alvos da investigação por auxílio na ocultação de patrimônio e manutenção das atividades ilícitas.>
Após prestar depoimento acompanhada de sua mãe e advogados, Bruna foi encaminhada para a Penitenciária Professor Pimenta da Veiga, em Uberlândia. Em nota, a defesa da família Nunes ressaltou que a apresentação de Bruna foi um ato espontâneo de respeito às autoridades. Os advogados, contudo, expressaram preocupação com o sigilo do processo e a dificuldade de acesso aos autos, reafirmando a confiança na Justiça e o compromisso com as garantias constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>