Fim das bets? Veja o que disseram autoridades e clubes em audiência no STF

Representantes de clubes defenderam a manutenção do mercado regulamentado e alertaram para perdas financeiras e empregos, enquanto integrantes do governo destacaram os impactos sociais e os riscos associados ao vício

Publicado em 3 de novembro de 2026 às 20:32

Audiência pública realizada no STF sobre apostas esportivas.
Audiência pública realizada no STF sobre apostas esportivas. Crédito: Rosinei Coutinho/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta terça-feira (3) uma audiência pública para discutir a proibição das apostas esportivas no Brasil. Conduzido pelo ministro Luiz Fux, o encontro reuniu dirigentes de clubes, representantes do governo e entidades para debater os efeitos da medida provisória que veta a atividade no país.

Na abertura, Fux afirmou ser favorável ao banimento das bets e destacou as consequências negativas das apostas para a população. O ministro também mencionou a discussão sobre segurança jurídica dos contratos firmados entre clubes e empresas do setor.

Pelo governo federal, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, abordaram os problemas sociais relacionados ao vício em apostas. Alexandre Padilha também chamou atenção para os riscos à saúde e mencionou dados sobre suicídio associados aos jogos eletrônicos.

Os representantes dos clubes defenderam a manutenção do mercado regulamentado e alertaram para os impactos financeiros de uma eventual proibição. O Flamengo, por exemplo, afirmou que pode perder aproximadamente R$ 430 milhões em receitas anuais, com possíveis consequências para mais de 1.200 empregados. Fluminense, Botafogo, Grêmio e Corinthians também apresentaram argumentos sobre desemprego, categorias de base e o papel dos clubes na conscientização.

Confira algumas das declarações feitas durante a audiência:

Luiz Fux, ministro do STF:

“Meu ponto de vista é que as Bets devem ser banidas (...) Não procede a alegação de que só convoquei empresas e times de futebol”.

Alexandre Padilha, ministro da saúde:

“A minha briga são as pessoas que se suicidaram, com os dados de pesquisa que nos mostram que as bets, o jogo eletrônico, aumentam em 15 vezes o risco de suicídio.”

Mattheus Montenegro, presidente do Fluminense:

“O drama de uma família endividada não pode ser maior que o drama de uma família que vai ter que sofrer com os efeitos do desemprego”.

Flávio Willeman, representante do Flamengo:

“O Flamengo possui mais de 1.200 empregados, que poderão ser comprometidos com a queda de aproximadamente R$ 430 milhões de receitas anuais com o futebol e com os esportes olímpicos”.

Eduardo Schumacher, representante do Grêmio:

“O futebol brasileiro não pede para ficar acima da saúde pública. Pede apenas o que todos os países que enfrentaram esse problema concederam aos clubes: tempo”.

Vinicius Manfredini, representante do Corinthians:

“Os clubes podem ser usados pelo poder público como canal de conscientização das apostas esportivas”.

Bichara Neto, representante do Botafogo:

“Com a proibição das bets, o futebol feminino e as categorias de base dos clubes serão os primeiros a serem afetados”.