Publicado em 13 de março de 2026 às 19:12
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o assessor do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump para assuntos relacionados ao Brasil, Darren Beattie, teria omitido o real motivo de sua visita ao país e transformado a viagem em um ato político.>
Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, Beattie informou, no pedido de visto, que participaria de um evento em São Paulo sobre terras raras e minerais críticos. No entanto, integrantes do governo afirmam que ele também teria planejado reuniões de caráter político, o que não teria sido mencionado inicialmente.>
A avaliação ganhou força após o ex-presidente Jair Bolsonaro solicitar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorização para receber uma visita do assessor de Trump. A autorização chegou a ser concedida, mas acabou posteriormente negada pelo magistrado.>
Diante da movimentação, o governo brasileiro decidiu revogar o visto de Beattie, recorrendo ao princípio da reciprocidade — um dos fundamentos da diplomacia — para justificar a medida.>
Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que a decisão também tem caráter político, servindo como resposta às investidas de assessores ligados a Trump que atuam na promoção da agenda de política externa conhecida como America First.>
A doutrina “America First”, ou “América em primeiro lugar”, defende a reorientação da presença e dos interesses dos Estados Unidos no cenário internacional, priorizando ações estratégicas no hemisfério ocidental e em áreas consideradas sensíveis para a segurança nacional norte-americana.>
Para integrantes do governo, a revogação do visto também busca conter uma possível aproximação entre aliados de Bolsonaro e figuras ligadas ao entorno de Trump em meio ao cenário político brasileiro, marcado pela aproximação do próximo ciclo eleitoral presidencial.>
Com informações do G1 >