Grupo Globo demite Frederic Kachar, executivo que frequentava festas de Vorcaro

Executivo já tinha dispensa programada assim que suas conversas fossem publicadas.

Publicado em 15 de outubro de 2026 às 14:49

Frederic Kachar era frequentador assíduo das festas sexuais de Daniel Vorcaro -
Frederic Kachar era frequentador assíduo das festas sexuais de Daniel Vorcaro - Crédito: Divulgação/TV Globo.

Por Rui Guilherme Filho - Belém (PA)

O Grupo Globo demitiu nesta quinta-feira (15) o executivo Frederic Kachar, que teve suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro divulgadas em reportagem exclusiva dos portais TV Pop e O Antagonista na noite da última quarta-feira (14). Kachar comandava a Editora Globo, InfoGlobo e o Globo Condé Kast, empresas que possuem em seus portfólios os jornais O Globo e Valor Econômico, revistas como Época e Globo Rural, e rádios como a Central Brasileira de Notícias (CBN).

A nota divulgada pelo Grupo Globo afirma em um trecho que “O conteúdo das conversas mantidas com Daniel Vorcaro revela uma relação inadequada do executivo com um anunciante”. A publicação concluiu dizendo que “A Globo reforça seu compromisso com a ética e a transparência e reafirma a absoluta independência editorial do jornalismo de seus veículos, premissa essencial de sua atuação”.

Frederic Kachar estava no conglomerado fluminense desde 1997 - ele faria 30 anos de casa em 2027 - e até agora, a Globo não definiu um nome para substituí-lo.

As conversas entre Vorcaro e Kachar

A reportagem do TV Pop e O Antagonista revelaram um relacionamento íntimo entre o executivo e o ex-dono do Banco Master, comentando desde a isonomia dos veículos de comunicação que Kachar chefiava, inclusive com críticas a uma reportagem da jornalista Malu Gaspar em 2025, em uma dessas conversas, até mesmo comentários sobre fantasias e atributos íntimos de atrizes como Deborah Secco e Sabrina Sato. As mensagens também mostravam convites para festas privadas organizadas pelo banqueiro e diálogos sobre o Baile da Vogue.

Em outras mensagens, Vorcaro ofereceu a Kachar um acesso a encontros particulares, sem o uso de celulares. O executivo global era frequentador habitual de orgias promovidas pelo ex-banqueiro com refugiadas da guerra da Ucrânia. O banqueiro dizia que as festas sexuais eram um “ataque soviético”. Todas essas conversas estão em poder da Polícia Federal.

Em reportagem publicada pelo jornalista Gabriel de Oliveira, a Globo já estava ciente destas conversas e já tinha engatilhada a demissão de Kachar, assim que as conversas fossem divulgadas, bem como o posicionamento da empresa. Alguns executivos apontam essa revelação como um dos maiores escândalos da história do conglomerado.