Publicado em 4 de junho de 2026 às 08:16
Após um julgamento marcado por forte comoção social e debates intensos, o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro definiu o destino dos acusados pela morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos. Nesta quinta-feira (4), o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a cumprir uma pena de 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. O conselho de sentença considerou o ex-parlamentar culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e por tortura.>
A mãe da criança, Monique Medeiros, teve um desfecho jurídico diferente no banco dos réus. Os jurados decidiram desclassificar a acusação de homicídio doloso (quando há intenção de matar) contra ela para homicídio culposo (quando não há intenção). Diante disso, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu um perdão judicial a Monique por essa acusação. Pelo crime de omissão perante a tortura que o filho sofria, ela recebeu a pena de 1 ano e 4 meses de detenção, período que a magistrada considerou como já integralmente cumprido.>
O veredito foi alcançado após os jurados passarem horas analisando as provas expostas no plenário. Durante a fase de acusação, os promotores do Ministério Público exibiram materiais sensíveis, como fotos da perícia do Instituto Médico Legal (IML) e filmagens de câmeras de segurança. Entre os vídeos exibidos estavam os últimos momentos de Henry brincando em um parquinho com o pai, Leniel Borel, e as imagens do elevador do prédio que mostram o garoto no colo de Monique, acompanhado de Jairinho, poucas horas antes de morrer.>
Ao longo das sessões que definiram o julgamento, o tribunal ouviu uma série de depoimentos de delegados, legistas, peritos, familiares, ex-babás e dos próprios acusados. Monique chorou em diversos momentos na reta final do júri e mudou sua postura defensiva: em seu interrogatório, ela acusou Jairinho diretamente pela primeira vez, afirmando categoricamente que acredita que o ex-vereador foi o autor das agressões fatais contra seu filho. A banca de advogados de Monique exibiu vídeos dela com Henry e alegou que ela vivia sob um relacionamento tóxico, sendo vítima de violência de gênero.>
Por outro lado, a defesa de Jairinho tentou reverter as acusações, e o próprio ex-vereador negou formalmente ter qualquer envolvimento com as lesões que causaram o óbito do menino. Apesar dos argumentos dos defensores, o conselho de sentença validou a tese de agressão por parte de Jairinho e de omissão por parte de Monique, encerrando um dos capítulos mais emblemáticos da crônica policial e jurídica do país.>