Juiz indígena é afastado em processo por 'parecer traficante'

Autodeclarado pardo e reconhecido como cotista por ascendência indígena paterna, o juiz ingressou na magistratura em 2023

Publicado em 14 de maio de 2026 às 10:13

Autodeclarado pardo e reconhecido como cotista por ascendência indígena paterna, o juiz ingressou na magistratura em 2023
Autodeclarado pardo e reconhecido como cotista por ascendência indígena paterna, o juiz ingressou na magistratura em 2023 Crédito: Divulgação/TJSC

O juiz Yves Luan Carvalho Guachala, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), foi afastado cautelarmente após a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura supostas infrações funcionais. O caso chamou atenção por incluir depoimentos com referências à origem indígena do magistrado e comentários sobre sua aparência e comportamento fora do trabalho.

Autodeclarado pardo e reconhecido como cotista por ascendência indígena paterna, o juiz ingressou na magistratura em 2023. Atualmente em estágio probatório, ele pode até ser desligado do Judiciário, dependendo do resultado da investigação.

Entre os relatos reunidos na apuração interna, testemunhas fizeram associações consideradas preconceituosas, afirmando que o magistrado teria “jeito de traficante” e que “levaria enquadro” da polícia ao praticar exercícios físicos na rua usando regata e shorts. Também houve menções à ascendência indígena do juiz em críticas relacionadas a decisões judiciais.

A investigação começou após decisões do magistrado gerarem repercussão negativa em Catanduvas, no interior catarinense, onde atuava desde 2024. Entre os casos questionados estão a liberação de suspeitos em audiência de custódia após relatos de violência policial e a extinção de execuções fiscais de baixo valor — medidas alinhadas a recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Na defesa apresentada ao TJSC, o juiz afirma que houve parcialidade e “pescaria probatória” durante a correição, alegando que o processo foi aberto sem um objeto específico e passou a reunir críticas diversas sobre sua atuação e vida pessoal.

Segundo o TJSC, há indícios suficientes para a continuidade do PAD, que apura 14 condutas atribuídas ao magistrado. O tribunal informou que não comenta processos em andamento, mas reafirmou compromisso com o devido processo legal e repudiou qualquer forma de discriminação.

O CNJ informou que os procedimentos relacionados ao caso tramitam sob segredo de Justiça.

Com informações do Metrópoles