Mãe aciona polícia contra creche particular após bebê sofrer múltiplas mordidas no rosto

Negligência médica e falta de monitoramento por câmeras revoltam a família, que acionou a Polícia Civil e o IML.

Publicado em 12 de junho de 2026 às 10:04

Mãe aciona polícia contra creche particular após bebê sofrer múltiplas mordidas no rosto
Mãe aciona polícia contra creche particular após bebê sofrer múltiplas mordidas no rosto Crédito: Reprodução/Redes sociais

O que era para ser um dia comum de aprendizado e cuidados se transformou em um pesadelo para uma família no interior de São Paulo. A bebê Ana Luiza, de apenas um ano e dois meses, voltou para casa com o rosto completamente desfigurado após sofrer uma sequência de agressões violentas dentro da creche particular Pipa Amarela, localizada no município de Sumaré. O episódio aconteceu na última terça-feira (9), mas a gravidade do caso e a postura de omissão da diretoria da escola mobilizaram as redes sociais e viraram alvo de uma investigação policial conduzida pela Polícia Civil.

De acordo com o relato emocionante da mãe da menina, Bruna Souza, as lesões foram provocadas por repetidas mordidas de outra criança no início do dia, mas a direção do estabelecimento só comunicou a família às 16h21, no momento da saída. Ao chegar para buscar a filha, a coordenadora tentou minimizar o ocorrido, alegando que se tratava de "apenas uma mordidinha". No entanto, ao ver a bebê, a mãe se deparou com múltiplos hematomas profundos e marcas de dentes por toda a face da menina, o que desmentia a versão inicial da equipe pedagógica.

Questionadas sobre a falta de supervisão, as funcionárias apresentaram justificativas contraditórias. A professora da turma alegou que o ataque aconteceu em "questão de segundos" no refeitório, momento em que uma das cuidadoras havia se ausentado para limpar uma sala, deixando apenas uma profissional responsável por todo o grupo. Para piorar, a coordenação e a proprietária do local divergiram sobre o perfil do agressor: enquanto a primeira afirmou que se tratava de um aluno do mesmo tamanho e idade, a dona da creche confessou que a criança agressora é mais velha, tem um histórico repetitivo de morder alunos menores e já havia sido remanejada de sala justamente por esse comportamento problemático.

Em busca de respostas sobre a dinâmica da violência, os pais exigiram o acesso imediato às gravações do circuito interno, mas receberam uma resposta surpreendente da instituição, que alegou que as câmeras instaladas servem exclusivamente para a segurança dos adultos e não monitoram as crianças. Diante do descaso e de uma declaração da proprietária afirmando que o ocorrido era "comum no mundo infantil", o casal procurou a delegacia de polícia. Antes de registrar a ocorrência, a bebê precisou ser levada às pressas ao hospital, onde passou por um exame de tomografia sob sedação devido ao alto nível de estresse e ao tamanho de um inchaço perto dos olhos. O laudo médico confirmou que o impacto gerou lesões internas na estrutura facial.

Com o boletim de ocorrência formalizado, a bebê foi encaminhada para a realização do exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal para que o laudo do legista anexe provas técnicas ao inquérito. Em seus desabafos nas redes sociais, Bruna Souza reforçou que o fato de os ferimentos terem sido causados por outra criança não diminui em nada a responsabilidade civil e legal da creche, que falhou gravemente no dever de zelar pela integridade física e segurança de menores indefesos. A família agora exige justiça e punições severas para que o sofrimento de Ana Luiza não se repita com outros alunos.